Homens cisgêneros gays e a sexualidade
Reflexões e inquietações
DOI:
https://doi.org/10.29327/2410051.7.22-90Resumo
Historicamente, a homossexualidade masculina é entendida como desvio moral e isso gera processos de subjetivações peculiares em homens cisgêneros gays. O objetivo deste estudo foi refletir sobre aspectos sociais que mediam a vivência da sexualidade desses homens. Trata-se de um estudo teórico, em que tentei, sem encerrar as discussões e usando a interseccionalidade como operador analítico, desenvolver algumas reflexões em sete categorias de análise, construídas mediante vivências minhas enquanto pesquisador de gênero e sexualidade. As sete categorias são: 1) Homossexualidade masculina e desenvolvimento social; 2) O corpo, o gênero e a norma; 3) Racismo; 4) Dinheiro, poder e masculinidades cisgêneras gays; 5) Pornografia e homossexualidade masculina: subjetivação e violência; 6) O Chemsex; 7) Violência na intimidade e políticas públicas. De maneira geral, foi possível discutir aspectos históricos e sociais presentes na maneira como homens cisgêneros gays aprendem suas vivências sexuais, com atenção especial ao encontro entre as categorias de gênero (feito e refeito no corpo), raça e classe na produção das relações afetivas e sexuais. A hipermasculinidade emergiu como um ponto muito importante da discussão, de modo que outras categorias, como a classe, podem ser utilizadas para manter o homem gay o mais masculino o possível, mantendo assim, seu capital sexual na comunidade. Foi possível ainda observar que a sexualidade de homens cisgêneros gays é imersa em relações de poder com outros homens, e que o estresse social de ser dissidente da heterossexualidade, além de poder culminar no uso de substâncias para o fenômeno do Chemsex, que é pouco discutido na experiência homossexual brasileira. Além disso, a violência na intimidade entre esses homens é um tema que carece de políticas públicas específicas, o que gera a impressão de não existência.
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