Arlequina em Aves de Rapina:
Um novo quadro de referência em uma narrativa de super-heróis?
DOI:
https://doi.org/10.29327/2410051.6.20-21Resumo
Os filmes de super-heróis são produtos inseridos na lógica mainstream, que incorporam discursos políticos e sociais e contribuem para a construção das representações de gênero e sexualidade. Compreendendo o cinema enquanto tecnologia de gênero e tendo como recorte empírico a personagem Arlequina, têm-se a seguinte questão de pesquisa: como a personagem Arlequina no filme Aves de Rapina negocia as condições de visibilidade e um possível novo quadro de referência em uma narrativa de super-herói? O objetivo geral é identificar as negociações de sentido que se dão na construção de um possível novo quadro de referência. Os objetivos específicos são: discutir o conceito de cinema de mulheres (LAURETIS, 1984) e problematizá-lo na experiência cinematográfica da representação feminina no filme em questão; e tensionar as negociações da representação feminina com a Jornada da Heroína enquanto protocolo metodológico. O aporte teórico engloba, sobretudo, Teresa de Lauretis (LAURETIS, 1984; 1987; 1994) para a discussão de tecnologia de gênero e cinema de mulheres, Claire Johnston sobre o contra-cinema (1973), além de Frédéric Martel (2013) em referência ao mainstream. A metodologia envolveu a identificação de cinco etapas da Jornada da Heroína (MURDOCK, 2013) no filme, bem como a seleção de cenas representativas de tais estágios. A análise das cenas foi feita com foco nos aspectos estético-verbais, por meio da transcrição dos diálogos. Em segundo plano, os cenários foram analisados enquanto aspectos estético-visuais, seguindo a proposição da Análise de Imagens em Movimento (ROSE, 2002). Os resultados apontam que o filme negocia sentidos sobre a representação feminina, ao mesmo tempo que reforça e rompe com estereótipos e com a Jornada da Heroína. Aves de Rapina sinaliza possibilidades da construção de um cinema de mulheres no universo de super-heróis.
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