Construções identitárias bissexuais e matrizes hetero e homonormativas

Autores

Resumo

Este estudo surge a partir de um processo de identificação próprio, bem como de adoecimento e interesse particular em compreender de que maneira vem se discutindo a compreensão da bissexualidade enquanto identidade legítima, os atravessamentos que isto traz e de que maneira que este debate se insere na discussão ainda hegemônica de leitura de mundo em matrizes duas: hetero- e homonormativas. Trata-se de um ensaio teórico, a partir de duas dissertações de mestrado, tendo-se como referências teóricos os olhares da Teoria Queer e das Epistemologias Bissexuais. A forma como a bissexualidade, enquanto identidade, é vista atualmente, impacta em sua construção, de maneira que os processos de invisibilização e de marginalização retomam concepções e paradigmas não atuais, atuando enquanto fatores que propiciam o apagamento desta sexualidade dentro da comunidade LGBTQI+ e reforçando relações de poder excludentes a partir das matrizes hegemônicas: heterno- e homonormativas.

Biografia do Autor

Cosme Rezende Laurindo, Pós-graduação em Saúde Coletiva, Universidade Federal de Juiz de Fora.

Bacharel em Enfermagem pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) (2017). Especialista em Saúde Mental - Modalidade Residência Multiprofissional pela UFJF (2020). Aperfeiçoando em Atenção à Saúde no Sistema Prisional pela Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/ Fiocruz - RJ). Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC) da UFJF e representante discente do Colegiado do mesmo programa. Capacitado em: Técnica em Desbridamento de Feridas pela Hammes Cursos (2017); em Abordagem Intensiva do Fumante, segundo modelo INCA/MS, pelo Serviço de Controle, Prevenção e Tratamento do Tabagismo (SECOPTT) de Juiz de Fora-MG (2018); e Redução de Danos pela Escola de Saúde Pública de Santa Catarina Prof. Osvaldo de Oliveira Maciel (2019). Membro do Coletivo Liberdade (Juiz de Fora-MG). Integra os seguintes grupos de pesquisa: GEDIS: Grupo de Estudos e Pesquisas em Sexualidade, Gênero, Diversidade e Saúde: Políticas e Direitos (UFJF); Grupo de Estudos sobre a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica - GEDPOC (UNIPAC-JF); e Núcleo de Estudos em Infecções e Complicações relacionadas à Assistência à Saúde (NEICAS) (UFJF). É administrador da página no facebook "ENF: o cuidar em saúde mental". Possui experiência e/ou interesse em: Saúde Mental, Enfermagem em Saúde Mental, Atenção Primária à Saúde, Saúde da População Negra, Drogas, Diversidade Sexual e de Gênero, Saúde da População Privada de Liberdade; Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica, Hanseníase.

Referências

ADORNO, T. W.. O ensaio como forma. In: COHN, G. (Org.). Sociologia: Adorno. São Paulo: Ática, 1986. p. 167-187.

BUTLER, J. Bodies That Matter: On the Discursive Limits os “Sex”. Routledge: Nova Iorque e Londres, 1999.

BUTLER, J. Gender Trouble: Feminism and the Subversion os Identity. Routledge: Nova Iorque e Londres, 1990.

CAVALCANTI, C. D.. Visíveis e Invisíveis: práticas e identidade bissexual. Orientador: Prof. Remo Mutzenberg. 2007. 112 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Pós-graduação em Sociologia, Centro de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal de Pernambuco, Recife, 2007.

GÓMEZ, J. P. P.; ARENAS, Y.. Development of Bisexual Identity. Ciência & Saúde Coletiva, [Internet], v. 24, n. 5, p. 1669-1678, maio 2019.

LEWIS, E. S.. "Não é uma fase": construções identitárias em narrativas de ativistas LGBT que se identificam como bissexuais. Orientadora: Profa. Liliana Cabral Bastos. 2012. 267 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Pós-graduação em Letras, Centro de Teologia e Ciências Humanas, Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2012.

MENEGHETTI, F. K.. O que é um Ensaio-Teórico? RAC, Curitiba, v. 15, n. 2, p.320-332, mar./abr. 2011.

MORAES, R.. Uma tempestade de luz: a compreensão possibilitada pela análise textual discursiva. Ciência & Educação, [on-line], v. 9, n. 2, p.191-211, 2003.

POLICARPO, V. M. N. M.. Para lá da heteronorma: subjetivação e construção da identidade sexual. Revista Estudos Feministas, [Internet], v. 24, n. 2, p. 541-562, ago. 2016.

SANTOS, C. G. C. P. et al. Da invisibilidade ao reconhecimento: experiência de roda de conversa e validação da bissexualidade em São Paulo. BIS, [Internet], v. 19, n. 2, p. 1669-1678, dez 2018.

SEVERINO, A. J.. Metodologia do trabalho científico. 14. ed. São Paulo: Cortez, 1986.

Downloads

Publicado

2020-12-31