A inserção da psicologia no Centro de Referência de Direitos Humanos (CRDH): um relato de experiência com pessoas transexuais

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Resumo

A Psicologia, por muitos anos, atuou como mantenedora da ordem vigente. Por meio da psicopatologização dos indivíduos, ela os enquadrava num padrão normativo que era proposto pela sociedade. Com a ampliação dos campos de atuação, essa postura passou a ser questionada e veio à tona a necessidade de se romper com essa lógica enraizada nos preceitos da profissão. Dessa forma, temas como Direitos Humanos e relações de gênero e sexualidade passam a fazer parte das esferas de discussões, principalmente na área da Psicologia Social Comunitária. Nesse sentido, o presente artigo tem como objetivo relatar a experiência de um estágio em Psicologia, numa instituição de Direitos Humanos, a partir da execução do Projeto Transformar, voltado para atendimento médico e psicológico da população trans e travesti. Esta experiência contribuiu para potencializar maiores conhecimentos a respeito da temática de relações de gênero e sua conexão com a Psicologia, além de colaborar com a ampliação de espaços e profissionais que estejam dispostos a atender essa demanda. Contudo, ainda observamos desafios como a falta de preparação e fundamentação teórica sobre o assunto e sobre o trabalho em grupos e também a necessidade de criação de mais políticas públicas que acolham e assegurem direitos à população trans e travestis.

Biografia do Autor

Isa Maria Barroso da Cruz, Universidade Federal de Juiz de Fora

Departamento de Psicologia. Psicologia Social Comunitária

Fernando Santana de Paiva, Universidade Federal de Juiz de Fora

Professor de graduação e pós-graduação (mestrado) do Departamento de Psicologia da UFJF. Psicologia Social Comunitária.

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Publicado

2021-04-05

Edição

Seção

Relatos de Experiências