Artivismos em movimentos coletivos de dissidências sexuais e de gênero: entre dissensos e a insurgência das (cri)ações de resistência a heteronormatividade de Recife para o novo mundo

Autores

  • Isabela de França Meira Universidade Federal de Pernambuco
  • Karla Galvão Adrião Universidade Federal de Pernambuco

Resumo

Este artigo trata de alguns dos resultados da minha pesquisa de mestrado (MEIRA, 2019), acontecida de 2017 a 2019, sobre organização coletiva sexodissidente e ações artivistas construídas por cinco coletivos recifenses que estavam (e ainda estão) movimentando o campo das dissidências sexuais e de gênero na cidade do Recife, sendo estes: “monstruosas”, “distro dysca”, “infecciosxs”, “ocupe sapatão” e “hypnos”; buscando analisar dissensos e tensões presentificadas em tais ações e coletivos, e focando em características e especificidades como: articulações coletivas autogeridas, a perspectiva anticapitalista e a não-institucionalização. Desse modo, a pesquisa caminhou em torno das relações indissociáveis entre o campo da sexualidade e processos micro e macro políticos.

Biografia do Autor

Isabela de França Meira, Universidade Federal de Pernambuco

Psicóloga Social e Clínica (CRP 02/20308), Pesquisadora, Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Sócia-Fundadora da Revoar - Espaço de Acolhimento e Criatividade, onde atua como Psicoterapeuta Corporal.

Karla Galvão Adrião, Universidade Federal de Pernambuco

Profa. Dra. Docente e Coordenadora da Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco.

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Publicado

2020-12-31

Edição

Seção

Dossiê Temático: Teoria Social Crítica e LGBTI