Os Papéis Sociais dos Homossexuais Masculinos em Angola Antiga: uma análise comparada dos ngangas na literatura e na história
DOI:
https://doi.org/10.31560/2595-3206.2020.11.10304Resumo
A homossexualidade masculina, apesar do desconhecimento, era uma realidade em Angola Antiga. Os ngangas eram curandeiros, conselheiros e chefes espirituais homossexuais que possuíam um grande prestígio social na sociedade mbundu. O silenciamento destes sujeitos no contexto angolano antigo aconteceu após a presença da Igreja católica naquele espaço. Com a imposição da moral cristã, os sistemas sociais dos povos locais foram dissolvidos parcial ou totalmente. Este trabalho objetiva resgatar a memória dos ngangas ambundu e iluminar a temática da homossexualidade masculina em Angola Antiga, elementos apagados pela invasão portuguesa. A justificativa desta investigação é a necessidade de se conhecer o passado da diversidade sexual, ou de parte dela, para tentar compreendê-la no presente. Deseja-se que este trabalho seja uma contribuição para pesquisas futuras que também tenham o objetivo de iluminar o passado da homossexualidade em Angola e/ou em qualquer outra localidade do Globo.
Downloads
Referências
AGUALUSA, José Eduardo. A Rainha Ginga: e de como os africanos inventaram o mundo. Rio de Janeiro: Editora Foz, 2015.
AJAYI, Jacob Festus Adeniyi. História Geral da África VI: África do Século XIX a década de 1880. editado por J. F. A. Ajayi. Brasília: UNESCO, 2010.
BÍBLIA, A. T. Levítico. In BÍBLIA. Português. Sagrada Bíblia Católica: Antigo e Novo Testamentos. Tradução de José Simão. São Paulo: Sociedade Bíblica de Aparecida, 2008.
BUSSOTTI, Lucas; TEMBE, António. A Homossexualidade na conceção afrocentrista de Malefi Kete Asante: entre libertação e opressão. Revista Ártemis, Vol. XVII nº 1; jan-jun, 2014.
CADORNEGA, Antônio de Oliveira de. História Geral das guerras Angolanas. Agência Geral das Colônias, 1972, I, II e III Tomos. [escrito no ano de 1680, em Angola].
CARVALHAL, Tânia Franco. Literatura comparada. 4.ed. revisada e ampliada. São Paulo: Ática, 2006.
CAVAZZI, Giovanni Antonio. Istorica Descrizione de tre Regni Congo, Matamba et Angola. Ed. Fortunato Alamandini. Bolonha: Giacomo Monti. 1687; Milão, 1690. Disponível em: https://play.google.com/books/reader?id=3aYPCUKOWZYC&hl=pt&pg=GBS.PP10 Acesso em: 12/01/2020.
FRY, Peter; MACRAE, Edward. O QUE É HOMOSSEXUALIDADE. Coleção Primeiros Passos, SP. Brasiliense, 1985. Disponível em: http://www.giesp.ffch.ufba.br/Textos%20Edward%20Digitalizados/4.pdf Acesso em: 15/03/2020
GALLIANO, Alfredo Guilherme. O método científico: teoria e prática. São Paulo: Harbra, 1979.
MOTT, L. Raízes Históricas da Homossexualidade no Atlântico Lusófono Negro. Conferência The Lusophone Black Atlantic in a Comparative Perspective, Centre for the Study of Brazilian Culture and Society, King’s College. 2005 (pp. 10-11). Londres. Disponível em: https://portalseer.ufba.br/index.php/afroasia/article/viewFile/21099/13982 Acesso em: 10/04/2020
NEILL, James. The Origins and Role of Same-Sex Relations in Human Societies. Jefferson: McFarland & Company. 2009.
OLIVEIRA, Fabrício de Souza de; MADRUGA, Zulma Elizabete de Freitas. Ciência e Religião: a matemática nos jogos de búzios. In: Anais do XVIII Encontro Baiano de Educação Matemática. Ilhéus, Bahia. XVIII EBEM. 2019. Disponível em: https://casilhero.com.br/ebem/mini/uploads/anexo_final/516dd20592b0e899123dd29a2e701eb7.pdf Acesso em: 10/04/2020
OPOKU, K.A. A Religião na África durante a época colonial. In: História geral da África, VII: África sob dominação colonial, 1880-1935. Edição Albert A. Boahen. 2.ed. rev. Brasília: UNESCO, 2010.
QUERINO, Rangel. Homossexualidade deixa de ser considerada crime em Angola. ObservatórioG. 24 de Janeiro de 2019. Disponível em: https://observatoriog.bol.uol.com.br/noticias/2019/01/homossexualidade-deixa-de-ser-considerada-crime-em-angola Acesso em: 02/04/2020.
SILVA, Joaquim. História do Brasil para o Quarto Ano Ginasial. São Paulo – SP: Companhia Editora Nacional. 1943.
SOUZA, Eneida Maria de; LYZARDO-DIAS, Dylia; BRAGANÇA, Gustavo Moura (Orgs.). Sobrevivência e devir da leitura. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2014.
TREVISAN, João Silvério. Devassos no Paraíso: a homossexualidade no Brasil, da colônia à atualidade. Rio de Janeiro: Ed. Record, 2007.
VOLTAIRE [1694 – 1778]. Dicionário Filosófico. Tradução Ciro Mioranza e Antônio Geraldo da Silva. São Paulo: Editora Escala, 2008.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Como Citar
Licença
Copyright (c) 2021 O autor detém os direitos autorais do texto e pode republicá-lo desde que a REBEH seja devidamente mencionada e citada como local original de publicação.

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial 4.0 International License.
A submissão de trabalho(s) científico(s) original(is) pelas pessoas autoras, na qualidade de titulares do direito de autoria do(s) texto(s) enviado(s) ao periódico, nos termos da Lei 9.610/98, implica na cessão de direitos autorais de publicação impressa e/ou digital à Revista Brasileira de Estudos da Homocultura (REBEH), do(s) artigo(s) aprovado(s) para fins da publicação, em um único número da Revista, autorizando-se, ainda, que o(s) trabalho(s) científico(s) aprovado(s) seja(m) divulgado(s) gratuitamente, sem qualquer tipo de ressarcimento a título de direitos autorais, por meio do site da Revista, para fins de leitura, impressão e/ou download do arquivo do texto, a partir da data de aceitação para fins de publicação. Portanto, as pessoas autoras, ao procederem à submissão do(s) artigo(s) à Revista e, por conseguinte, à cessão gratuita dos direitos autorais relacionados ao trabalho científico enviado, têm plena ciência de que não serão remuneradas pela publicação de seu manuscrito no periódico, independentemente da seção.
A Revista encontra-se licenciada sob a Licença Creative Commons 4.0 Internacional, para fins de difusão do conhecimento científico, conforme indicado no sítio da publicação.
No ato da submissão de seus artigos à REBEH, as pessoas autoras automaticamente aceitam e concordam expressamente com os termos da licença, que se aplica a todos os manuscritos publicados por esta Revista.

