DESSECAÇÃO QUÍMICA E RETARDAMENTO DE COLHEITA EM SOJA VISANDO À PRODUÇÃO DE SEMENTES

Autores

  • Adriano Silveira Barbosa adriano.sb27@gmail.com
    Universidade Federal do Tocantins
  • Joênes Mucci Pelúzio joenesp@mail.uft.edu.br
    Universidade Federal do Tocantins
  • Ildon Rodrigues do Nascimento ildon@mail.uft.edu.br
    Universidade Federal do Tocantins
  • Rodrigo Ribeiro Fidelis fidelisrr@mail.uft.edu.br
    Universidade Federal do Tocantins
  • Sorane Moraes de Sousa soranemoraes@hotmail.com
    Universidade Federal do Tocantins

DOI:

10.31413/nativa.v7i1.6613

Resumo

Estudos sobre o efeito da dessecação e retardamento de colheita, nas qualidades das sementes de soja, são escassos em cultivos sob baixa latitude. Objetivou-se avaliar o efeito da aplicação de dessecante em soja, avaliando o retardamento da colheita em duas cultivares, observando as respostas fisiológicas, químicas e produtividade das sementes. No ano agrícola 2016/17, foi realizado experimento em Gurupi-TO, em delineamento de blocos casualizados, com três repetições, sendo os tratamentos dispostos em esquema de parcelas subsubdivididas, alocados nas parcelas duas cultivares com tipos de crescimento diferentes (NA 8015 RR-indeterminado; M 8349 IPRO-determinado), nas subparcelas dois sistemas de manejo (com dessecação e testemunha) e nas subsubparcelas quatro épocas de colheita (R8, R8+7, R8+14, R8+21). O dessecante utilizado foi herbicida com princípio ativo paraquat, na dosagem recomendada para a soja (1,5 L ha-1), aplicado no estádio R7.2 da cultura. Após a colheita, as sementes foram submetidas aos testes de germinação em laboratório, emergência em campo, produtividade, teores de óleo e proteína dos grãos. Não houve efeito da dessecação química e do retardamento de colheita na composição química dos grãos. O retardamento da colheita afeta negativamente a germinação, emergência e produtividade das sementes. A cultivar M 8349 IPRO é mais tolerante ao retardamento de colheita.

Palavras-chave: épocas de colheita, Glycine max, herbicida dessecante.

 

CHEMICAL DETERMINATION AND DELAY OF HARVESTING IN SOYBEANS FOR SEED PRODUCTION

 

ABSTRACT:

Studies on the effect of desiccation and crop delay on the qualities of soybean seeds are scarce in crops under low latitude. The objective of this study was to evaluate the effect of the application of desiccant in soybean, evaluating the delay of the harvest in two cultivars, observing the physiological, chemical and seed productivity responses. In the agricultural year 2016/17, an experiment was carried out in Gurupi-TO, a randomized complete block design, with three replications. The treatments were arranged in a sub-split plots scheme, with two cultivars with different growth types (NA 8015 RR-undetermined; M 8349 IPRO-determined) in the subplots two management systems (with desiccation and control) and in sub-subplots four harvest times (R8, R8+7, R8+14, R8+21). The desiccant used was herbicide with paraquat active ingredient, at the recommended dosage for soybean (1.5 L ha-1), applied at the R7.2 stage of the crop. After the harvest, the seeds were submitted to germination tests in the laboratory, field emergence, yield, oil content and grain protein. There was no effect of chemical desiccation and crop delay on the chemical composition of the grains. Harvest delay negatively affects seed germination, emergence and yield. The cultivar M 8349 IPRO is more tolerant to crop delay.

Keywords: harvest time, Glycine max, desiccant herbicide.

Biografia do Autor

Adriano Silveira Barbosa, Universidade Federal do Tocantins

Doutorando em Produção Vegetal. Mestre em Produção Vegetal, com ênfase em Fitotecnia pela Universidade Federal do Tocantins (2018). Graduado em Agronomia, com ênfase em Ecologia de Ecossistemas pela Universidade Federal do Tocantins (2015). Atuou nos seguintes temas: Ecologia Funcional e Aplicada, Ecotoxicologia aquática, Fitotecnia com soja (características agronômicas e química dos grãos). Foi bolsista como Pesquisador de Iniciação Científica, com apoio do CNPq. Foi estagiário no Laboratório de Análises Agrícolas do Tocantins, com regime de dedicação exclusiva.

Joênes Mucci Pelúzio, Universidade Federal do Tocantins

Possui graduação em Agronomia pela Universidade Federal de Viçosa (1989), mestrado em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela Universidade Federal de Viçosa (1991) e doutorado em Genética e Melhoramento pela Universidade Federal de Viçosa (1996). Atualmente é Professor Associado IV da UNIVERSIDADE FEDERAL DO TOCANTINS (UFT), Campus Universitário de Palmas. Atua em programas de Pós-Graduação (Mestrado e Doutorado), em Produção Vegetal, Agroenergia e Biodiversidade e Biotecnologia. Tem experiência na área de Agronomia, com ênfase em Melhoramento Vegetal, atuando principalmente nos seguintes temas: soja, milho, avaliação de cultivares,, manejo e tratos culturais, melhoramento genético, características agronômicas e químicas dos grãos.

Ildon Rodrigues do Nascimento, Universidade Federal do Tocantins

Possui graduação em Agronomia pela Universidade do Tocantins (2001), mestrado em Agronomia (Fitotecnia) e doutorado em Agronomia (Genética e Melhoramento de Plantas) pela Universidade Federal de Lavras (2005). Atualmente é professor Associado II da Fundação Universidade Federal do Tocantins - UFT. É membro do Comitê Interno de Avaliação de projetos PIBIC (desde de 2008) e Gerente da Estação Experimental do Campus de Gurupi (desde de 2016). Tem experiência na área de Agronomia/Genética e Melhoramento Vegetal/Fitotecnia/Olericultura, trabalhando principalmente com as culturas da melancia, tomate, pimentão, alface e batata-doce. Delegado da Associação Brasileira de Horticultura - ABH, no Estado do Tocantins.

Rodrigo Ribeiro Fidelis, Universidade Federal do Tocantins

Possui graduação em Agronomia pela Universidade do Tocantins (2001), Mestrado em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela Universidade Federal de Viçosa (2003) e Doutorado em Fitotecnia (Produção Vegetal) pela Universidade Federal de Viçosa (2006). Atualmente é Professor Associado da Universidade Federal do Tocantins e Bolsista de Produtividade em Pesquisa CNPq. Coordenador da Pós-Graduação em Produção Vegetal - UFT desde 06/2014; Membro do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CONSEPE) desde 2014; Membro Conselho Diretor do Campus de Gurupi (CONDIR) desde 2014; Membro Câmara de Pesquisa e Pós Graduação desde 2014; Coordenador dos laboratórios Banco de Germoplasma e Síntese de Polímeros na UFT, Campus de Gurupi; Membro Comitê PIBIC desde 2013. Tem experiência na área de Agronomia, com ênfase em Melhoramento Vegetal, atuando principalmente nos seguintes temas: biofortificação agronômica em grandes culturas; cultivo de grandes culturas em Várzeas Tropicais e solos de Cerrado; desenvolvimento de tecnologias voltados à agricultura; melhoramento genético de feijão Caupi e; sistemas de produção voltados à agricultura familiar.

Sorane Moraes de Sousa, Universidade Federal do Tocantins

Graduanda em Engenharia Florestal pela Universidade Federal do Tocantins. Integrante da equipe executora do projeto : Interação multi-regional (Norte-Sudeste-Sul) para formação de recursos humanos em Entomologia, Manejo Silvicultural e Tecnologia Florestal no Brasil

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Publicado

2019-02-01

Como Citar

Barbosa, A. S., Pelúzio, J. M., Nascimento, I. R. do, Fidelis, R. R., & Sousa, S. M. de. (2019). DESSECAÇÃO QUÍMICA E RETARDAMENTO DE COLHEITA EM SOJA VISANDO À PRODUÇÃO DE SEMENTES. Nativa, 7(1), 13–22. https://doi.org/10.31413/nativa.v7i1.6613

Edição

Seção

Agronomia / Agronomy

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