BIOTIPAGEM NO FUTEBOL DE BASE
CORPO, EXCLUSÃO E BIOTECNOLOGIAS NO PROCESSO DE FORMAÇÃO DE GOLEIROS
DOI:
https://doi.org/10.51283/rc.30.e21737Palavras-chave:
Biotipagem, Categorias de Base, Formação de Goleiros, Biopolítica, BiotecnologiaResumo
O presente artigo analisa como a estatura corporal opera como critério de inclusão, exclusão e hierarquização nos centros de formação de futebol de base, reconfigurando a experiência esportiva de jovens atletas e introduzindo mecanismos de controle e intervenção biomédica. Ancorado nos aportes teóricos da biopolítica de Michel Foucault e do habitus de Pierre Bourdieu, o estudo discute a transformação do corpo juvenil em capital biológico avaliado por métricas mercadológicas de rendimento e antecipação de valor. Metodologicamente, a pesquisa fundamenta-se em uma abordagem qualitativa de caráter etnográfico multissituacional, realizada entre 2018 e 2021 em centros de formação do Rio Grande do Sul. Utiliza-se a trajetória de um jovem goleiro como um caso típico ideal weberiano para desvelar processos estruturantes compartilhados no campo futebolístico. Os resultados indicam que o processo formativo subordina as competências tático-cognitivas e técnicas a um ideal biométrico idealizado, no qual a estatura atua como signo de legitimidade e crédito simbólico antecipado. Diante da ameaça de exclusão imposta por esse filtro seletivo, mapeia-se a busca familiar por recursos biotecnológicos e medicalização (como intervenções hormonais e suplementação dirigida). Conclui-se que o futebol de base atua como um dispositivo de triagem socioeconômica e biológica que converte desigualdades de capital em assimetrias corporais, naturalizando a exclusão de corpos plenamente funcionais que não correspondem à previsibilidade e legibilidade exigidas pela indústria esportiva.
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