A dignidade invisível nos autos: reflexões sobre a ética da alteridade no exercício do direito a partir de “Quarto de Despejo”
Palavras-chave:
Alteridade , Dignidade, Direito, Ética, Carolina Maria de JesusResumo
Este artigo tem como finalidade a reflexão sobre a prática do Direito sob a ótica da ética da alteridade, tomando como ponto de partida a obra "Quarto de Despejo", de Carolina Maria de Jesus. A partir do diário da autora, busca se instigar uma interpretação do Direito que ultrapasse as categorias dogmáticas e enfrente os silêncios institucionais em relação à pobreza extrema e à exclusão social. O objetivo do estudo é tensionar a prática jurídica tradicional, excessivamente técnica, propondo uma perspectiva ética voltada ao outro e à dignidade que não se encontra nos registros processuais. Como metodologia, adota-se uma abordagem qualitativa, fundamentada em pesquisa bibliográfica, especialmente nas reflexões de Emmanuel Levinas. Conclui-se que a ética da alteridade, ao romper com a neutralidade jurídica, abre espaço para uma práxis mais atenta às realidades humanas invisibilizadas pelo sistema