Por um pensar a base Nacional Comum Curricular em uma Geografia pós-estrutural

Autores

Palavras-chave:

Geografia, Pós-Estruturalismo, Discursos, BNCC

Resumo

Levando em conta a projeção da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) no atual cenário de políticas curriculares, este trabalho propõe a reflexão, na especificidade da disciplina Geografia, sobre o caráter negligente da política em relação a contribuições dos estudos geográficos. Desta forma, buscamos dialogar com dois autores do campo da Geografia para pensar uma Geografia pós-estrutural em tensionamento com a BNCC, quais sejam, Doreen Massey e Rogério Haesbaert. Além destes autores, retomamos alguns argumentos produzidos em outros trabalhos e lançamos mão da noção de comunidade disciplinar em Ivor Goodson para pensarmos a relação dos sujeitos com a Geografia e a política curricular. O texto se inicia destacando os principais dispositivos teóricos e epistemológicos de Massey e Haesbaert para pensar a Geografia sob a lógica da discursividade, alteridade e diferença. Em seguida, tensionamos uma perspectiva geográfica pós-estrutural com a textualização proposta na BNCC apontando negligencias e o caráter antidemocrático da política curricular. Por fim, acenamos para o fato de que o encaminhamento defendido para a Geografia no âmbito da BNCC além de negligenciar o diálogo com potentes contribuições recentes do pensamento geográfico, desconsidera a escola como espaço de transgressão e se afasta do entendimento do espaço como algo constituído pelo encontro.

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Publicado

2022-10-25

Como Citar

Rodrigues, P. F. ., & Costa, H. H. C. (2022). Por um pensar a base Nacional Comum Curricular em uma Geografia pós-estrutural . Revista Geoaraguaia, 12(especial), 44-61. Recuperado de https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/geo/article/view/14319