Recomposição da Aprendizagem e Saúde Docente frente às Demandas Pedagógicas do Pós-Pandemia
Palavras-chave:
Saúde Docente, Esgotamento profissional, Educação neoliberal.Resumo
O presente estudo analisa as interações entre o mal‑estar docente e as políticas de recomposição da aprendizagem no contexto pós‑pandemia de Covid‑19 no Brasil. Parte‑se da constatação de que, após o retorno gradual das aulas presenciais, evidenciaram‑se profundas lacunas pedagógicas nos conhecimentos dos alunos, ao mesmo tempo em que se agravaram os índices de adoecimento físico e mental entre professores, incluindo casos de burnout, afastamentos e desistência da profissão. O objetivo é discutir como pressões por resultados, condições precárias de trabalho, carga horária ampliada e políticas neoliberais se articulam à demanda por recompor aprendizagens essenciais. Metodologicamente, trata‑se de uma revisão teórica de estudos recentes que abordam saúde docente e medidas de recomposição, complementada por dados de organismos internacionais sobre evasão e desigualdades educacionais. Os resultados indicam que o processo de recomposição envolve mais do que recuperação de conteúdos: exige identificação de lacunas, currículos flexíveis, avaliações diagnósticas, pedagogias ativas e apoio socioemocional aos estudantes. No entanto, a ausência de políticas de valorização e suporte aos professores também compromete a eficácia dessas iniciativas, ampliando o mal‑estar e a sensação de abandono da profissão. Conclui‑se que, para reconstruir trajetórias educativas interrompidas, é necessário articular ações pedagógicas com cuidado à saúde docente, investir em formação continuada crítica, melhorar condições de trabalho, promover suporte psicológico e redefinir políticas de avaliação e financiamento. Somente com integração entre recomposição da aprendizagem e valorização profissional será possível garantir uma educação pública equitativa e de qualidade no pós‑pandemia.
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