Repensando as infâncias das crianças negras: notas afroperspectivistas e introdutórias a partir do Sopapinho Poético

Autores

  • Liziane Guedes da Silva UFRGS
  • Renato Noguera UFRRJ e UFRJ

Resumo

Neste artigo realizamos uma discussão a respeito dos lugares das crianças negras nas pesquisas acadêmicas, a partir de uma revisão bibliográfica e de uma discussão teórico-conceitual. Este estudo parte de uma significativa ausência das crianças negras nas discussões sobre infâncias ou da sua presença circunscrita pelo racismo. Apresentamos parte do material produzido em minha pesquisa de graduação em psicologia, a partir do Sarau Sopapo Poético em Porto Alegre/RS, trazendo as experiências das crianças participantes do Sopapinho Poético para interrogar as experiências que costumam ser atribuídas às crianças negras nos estudos. Em diálogo com a Filosofia Afroperspectivista, a partir de sua ética policêntrica e pluralista, problematizamos a concepção dos saberes universais e salientamos a potência contida nas infâncias, principalmente das crianças negras, a partir suas várias formas de compreender o mundo. Com as experiências percebidas a partir do Sopapinho Poético, perguntamos: é possível pensar na ideia de uma escola-sarau? Sobretudo no que tange aos efeitos potentes às crianças de perceberem-se como negras a partir de referências pluriversais e positivas, em resistência e apesar do racismo da sociedade brasileira. 

Biografia do Autor

Liziane Guedes da Silva, UFRGS

Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social e Institucional da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. Psicóloga (UFRGS). Pesquisadora das temáticas: psicologia preta, relações raciais, psicologia social, filosofia afroperspectivista e infâncias.

Renato Noguera, UFRRJ e UFRJ

Renato Noguera é Professor do Departamento de Educação e Sociedade (DES), do Programa de Pós-Graduação em Filosofia, do Programa de Pós-Graduação em Educação, Contextos Contemporâneos e Demandas Populares (PPGEduc) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Pesquisador do Laboratório de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (Leafro). Noguera coordena o Grupo de Pesquisa Afroperspectivas, Saberes e Infâncias (Afrosin), doutor em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Noguera está envolvido com os projetos de pesquisa: O que as crianças pensam sobre a escola: imagens, palavras e infâncias na Educação Infantil e no Ensino Fundamental, e, "Modernidade" na perspectiva da Crítica da Razão Negra; coordena o projeto de Extensão Brinquedoteca Pedagoginga. Noguera também é autor, roteirista e dramaturgo infantil.

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Publicado

2020-08-31

Edição

Seção

Dossiê Temático: Tornar-nos Criança: Auto-Etnografias, Cuidados e Reparações