CAPITALISMO E AGRONEGÓCIO: ASPECTOS DO TRABALHO ESCRAVO NO CAMPO

Autores

  • Anatália Daiane de Oliveira Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
  • Cristiano Apolucena Cabral Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
  • Eva Emília Freire do Nascimento Azevedo Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
  • Edson Caetano Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

Palavras-chave:

Trabalho escravo, Capitalismo, Agronegócio, Campo, Brasil.

Resumo

O presente artigo tem o intuito de discutir sobre o trabalho escravo no campo brasileiro e as possíveis implicações na vida de muitos trabalhadores(as) que são escravizados em favor do lucro de poucas pessoas. Trata-se de uma reflexão teórica acerca do assunto, concretizada a partir do materialismo histórico dialético. Entre as conclusões, percebe-se que muitas mulheres e homens são tidos pelo Estado e pelo Mercado apenas enquanto personificação do trabalho, negando-lhes sua humanidade, visando à produção de lucro. Nessa lógica, a escravização do Outro não se torna uma imoralidade econômica. Ao contrário, o trabalho escravo ou análogo se torna um bem social.

CAPITALISM AND AGRIBUSINESS: ASPECTS OF LABOR SLAVE IN THE FIELD

Abstract: This article aims to discuss slave labor in the Brazilian countryside and the possible implications in the lives of many workers who are enslaved in favor of the profit of few people. It is a theoretical reflection on the subject, materialized from dialectical historical materialism. Among the conclusions, it can be seen that many women and men are considered by the State and the Market only as personification of labor, denying their humanity for the production of profit. In this logic, the enslavement of the Other does not become an economic immorality. On the contrary, slave or analogous work becomes a social good.

Keywords: Slave labor. Capitalism. Agribusiness. Field. Brazil.

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Biografia do Autor

Anatália Daiane de Oliveira, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

Doutoranda em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), linha de pesquisa Movimentos Sociais, política e educação popular. Pedagoga e mestra em Psicologia pela Fundação Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Pesquisadora do Grupo de Pesquisa de Educação na Amazônia (GPEA). Participante do Grupo de Estudos e Pesquisas sobre Trabalho e Educação (GEPTE). Bolsista de Demanda Social pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

Cristiano Apolucena Cabral, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

Doutorando do Programa de Pós-Graduação em Educação pela UFMT. Participante do GEPTE- UFMT. Mestre em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso. Especialista em Sociologia e Educação pelo Instituto Aphonsiano de Ensino Superior. Graduado em Filosofia pela Universidade Católica de Goiás.

Eva Emília Freire do Nascimento Azevedo, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFMT. Graduada e Mestra em Serviço Social pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Professora do Departamento de Serviço Social na UFMT. Participante do GEPTE- UFMT.

Edson Caetano, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

Doutor em Educação pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e professor do Instituto de Educação (IE) da UFMT. Mestre em Educação pela UNICAMP. Graduado em Ciências Sociais pela PUCCAMP. Líder do GEPTE.

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Sites consultados

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Publicado

2018-02-01