QUEM “PAGA A CONTA” DA SAÚDE MENTAL NA ERA DO INCENTIVO AO TRABALHO INFORMAL?

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Palavras-chave:

trabalho informal, economia informal, saúde mental, saúde do trabalhador

Resumo

Diante de desmontes nas leis trabalhistas, desinvestimentos do governo atual em setores da saúde e na previdência social, do alto índice de desemprego e de informalidade no Brasil, deve-se analisar possíveis impactos dessas questões sobre os trabalhadores. Nesse sentido, o objetivo é discutir implicações desses desmontes e do trabalho informal para a saúde mental dos trabalhadores. Foi entendido como fundamental analisar as relações entre trabalho, adoecimento mental, e conjuntura social, econômica e política do Brasil atual. Foi possível apontar problemáticas, e identificar contradições no que vem sendo tradicionalmente compreendido como soluções em saúde mental e trabalho. Aponta-se como insuficiente “medicalizar” questões que antes de serem patológicas são sociais, econômicas e políticas. Deve-se prioritariamente (re)pensar ações transformadoras das condições de trabalho.

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Biografia do Autor

Marina Batista Chaves Azevedo de Souza, Universidade Federal de Sergipe

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Terapia Ocupacional da Universidade Federal de São Carlos e Mestre em Administração pelo Programa de Pós-Graduação em Administração da Universidade Federal da Paraíba. Atualmente é Professora Efetiva do Curso de Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Sergipe – UFS.

Isabela Lussi, Universidade Federal de São Carlos

Doutora em Ciências pelo Programa de Enfermagem Psiquiátrica pela Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo e Mestre em Filosofia pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho. Atualmente é Professora Efetiva do Departamento de Terapia Ocupacional e do Programa de Pós-Graduação em Terapia Ocupacional, ambos da Universidade Federal de São Carlos.

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Publicado

2021-10-08 — Atualizado em 2021-10-16

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