O mar como ipadê: a identidade encruzilhada na literatura amefricana
DOI:
https://doi.org/10.59917/ftqhey72Palavras-chave:
identidade encruzilhada, amefricanidade, realismo animistaResumo
Nesse artigo, analisa-se a construção da identidade amefricana a partir da noção de encruzilhada na obra Changó, el gran putas, de Manuel Zapata Olivella, enfatizando o papel de Exu/Elegba como mediador entre temporalidades, mundos e sistemas de conhecimento. O estudo tem como objetivo compreender como memórias ancestrais do Atlântico são reelaboradas na narrativa literária, configurando uma identidade encruzilhada marcada pela travessia, pela resistência e pela reinvenção cultural. A metodologia adotada é de natureza qualitativa, com abordagem analítico-interpretativa, fundamentada na leitura temática do romance e na articulação entre categorias teóricas da amefricanidade, da poética da Relação e do realismo animista. A análise evidencia que a obra mobiliza estruturas narrativas não lineares, nas quais mito, história e espiritualidade coexistem, rompendo com paradigmas eurocêntricos e instaurando uma lógica espiral do tempo. Observa-se que Exu opera como princípio dinâmico da encruzilhada, possibilitando a comunicação entre vivos, mortos e ancestrais, ao mesmo tempo em que organiza o percurso narrativo e simbólico da diáspora. Conclui-se que a identidade amefricana, tal como configurada na obra, constitui-se como processo relacional, plural e em constante movimento, sendo a encruzilhada o espaço epistemológico que sustenta sua emergência.
Referências
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