O mar como ipadê: a identidade encruzilhada na literatura amefricana

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59917/ftqhey72


Palavras-chave:

identidade encruzilhada, amefricanidade, realismo animista

Resumo

Nesse artigo, analisa-se a construção da identidade amefricana a partir da noção de encruzilhada na obra Changó, el gran putas, de Manuel Zapata Olivella, enfatizando o papel de Exu/Elegba como mediador entre temporalidades, mundos e sistemas de conhecimento. O estudo tem como objetivo compreender como memórias ancestrais do Atlântico são reelaboradas na narrativa literária, configurando uma identidade encruzilhada marcada pela travessia, pela resistência e pela reinvenção cultural. A metodologia adotada é de natureza qualitativa, com abordagem analítico-interpretativa, fundamentada na leitura temática do romance e na articulação entre categorias teóricas da amefricanidade, da poética da Relação e do realismo animista. A análise evidencia que a obra mobiliza estruturas narrativas não lineares, nas quais mito, história e espiritualidade coexistem, rompendo com paradigmas eurocêntricos e instaurando uma lógica espiral do tempo. Observa-se que Exu opera como princípio dinâmico da encruzilhada, possibilitando a comunicação entre vivos, mortos e ancestrais, ao mesmo tempo em que organiza o percurso narrativo e simbólico da diáspora. Conclui-se que a identidade amefricana, tal como configurada na obra, constitui-se como processo relacional, plural e em constante movimento, sendo a encruzilhada o espaço epistemológico que sustenta sua emergência.

Biografia do Autor

  • Fábio Rodrigo Penna, CPII / UR2

    Fábio Rodrigo Penna é carioca, adifá no Axé Obá Igbô, professor do Colégio Pedro II, doutor em Literatura Brasileira (UERJ), mestre em Relações Etnicorraciais (CEFET/RJ), especialista em Literaturas Portuguesa e Africanas de Língua Portuguesa (UFRJ) e graduado em Literaturas de Língua Portuguesa (UFRJ). Participa do Grupo de pesquisa Discurso e Estudos de Tradução (UERJ). Autor dos livros "Confissões descontínuas de uma mente confusa" (2013), "Viagem em transe mítico: mestiçagens, imaginários e reencantamento do mundo" (2021) e “Quando ibêji não sente saudade, abiku não volta do céu” (no prelo). Em 2021, sua tese de doutorado "O pensamento espiral em romances turbilhonares: escritas do grito, identidade encruzilhada e paisagens afrocircinadas" foi premiada pela Latin American Studies Association (LASA). Pós-doutor pela Université Rennes 2, pesquisando “O afrorrealismo e o realismo animista nas literaturas amefricanas: identidade encruzilhada”.

Referências

GLISSANT, Édouard, Introdução a uma poética da Diversidade, Juiz de Fora : Editora UFJF, 2013.

GONZALEZ, Lélia, “A categoria político-cultural de amefricanidade”, Tempo Brasileiro, n. 92/93, 1988.

OLIVELLA, Manuel Zapata, Changó, el gran putas, Bogotá : Editorial Oveja Negra, 1983.

PENNA, Fábio R., O pensamento espiral em romances turbilhonares : escritas do grito, identidade encruzilhada e paisagens afrocircinadas, Tese (Doutorado em Literatura Brasileira) - Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2021.

PENNA, Fábio R. “O pensamento espiral da ancestralidade em romances turbilhonares: a identidade encruzilhada”. In: Quando as literaturas se encontram : ensaios reunidos / Vanessa Cianconi (org.). Rio de Janeiro : Luzerna, 2024.

PENNA, Fábio R., Viagem em transe mítico : mestiçagens, imaginários e reencantamento do mundo, São Paulo : Appris, 2021a.

Publicado

2026-11-05

Como Citar

O mar como ipadê: a identidade encruzilhada na literatura amefricana. Polifonia, [S. l.], v. 33, n. 62, 2026. DOI: 10.59917/ftqhey72. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/polifonia/article/view/21483. Acesso em: 6 nov. 2026.