HARMONIA NASAL E RINOGLOTOFILIA EM XAVANTE

Autores

  • Wellington Pedrosa Quintino polifoniapa@gmail.com

Resumo

Os Xavante, povo do grupo Akwen, somam hoje aproximadamente 20.000 indígenas e habitam o nordeste do estado do Mato Grosso. São os principais representantes do ramo central da família Jê, do tronco linguístico Macro-Jê. Em uma análise da fonologia da língua Xavante, por meio dos dados, de primeira mão, coletados na terra indígena Pimentel Barbosa, observamos a ocorrência de alguns processos fonológicos que interpretamos neste artigo. No âmbito da sílaba, observamos que, especificamente no domínio da Coda, existe uma restrição que proíbe a ocorrência de qualquer estrutura que não seja um dos segmentos: [p], [b] e [m], que ocorrem de forma condicionada neste ambiente, além da palatal [j]. A harmonia nasal é um dos fenômenos fonológicos mais recorrentes nas línguas do mundo. A fonologia gerativa padrão caracterizava esse tipo de assimilação em termos de cópia de traços, de forma que um segmento copia as especificações de traço de um segmento vizinho. Pretendemos aqui, a partir da descrição inicial dos segmentos que ocupam posição de Onset e Coda, discutir as origens da nasalidade em Xavante observando a ocorrência de regras de assimilação ou espalhamento como caracterizadas pela Geometria de Traços. Pretendemos, também, discutir a estreita relação entre o traço de nasalidade e glotalidade, ou seja, rinoglotofilia, além do comportamento do traço [nasal] na língua Xavante. Analisamos, para tanto, o status fonológico dos segmentos consonantais nasalizados e dos segmentos vocálicos nasais, bem como as restrições estruturais da sílaba nesta língua. Por fim, argumentamos que o comportamento da Coda em Xavante sugeriu uma relação muito mais íntima entre a articulação glotal e o traço de nasalidade – articulação que se mostra intrigantemente produtiva nessa língua e sobre a qual empreendemos uma investigação mais atenta nesta pesquisa.

Downloads

Publicado

2018-09-22

Como Citar

QUINTINO, W. P. HARMONIA NASAL E RINOGLOTOFILIA EM XAVANTE. Polifonia, [S. l.], v. 25, n. 38.1, p. 39–57, 2018. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/polifonia/article/view/7270. Acesso em: 13 jun. 2024.

Edição

Seção

Edição Comemorativa