Do mar à terra: (no caminho d)a escrevivência poética de Olinda Beja
DOI:
https://doi.org/10.59917/vdy3hn47Palavras-chave:
Olinda Beja, escrevivência, literatura diaspóricaResumo
Neste artigo, tem-se por objetivo analisar de que modo os poemas Ancestralidade e Raízes, de Olinda Beja, incorporam aspectos da escrevivência, conceito formulado por Conceição Evaristo. O estudo se justifica pela necessidade de fortalecimento das pesquisas sobre a literatura afrodiaspórica, cuja inserção no ensino é prevista na legislação brasileira, bem como por dar visibilidade a uma produção ainda marginalizada no cânone literário, neste caso, de autoria de uma escritora negra em diáspora. A investigação parte de uma abordagem qualitativa, de caráter interpretativo, articulando a leitura dos textos poéticos também às discussões sobre identidade cultural, tempo espiralar e afrocentricidade do sujeito afrodiaspórico. A análise evidencia que a poética de Olinda Beja mobiliza a memória ancestral como elemento estruturante, configurando uma escrita que ultrapassa o âmbito individual e se inscreve como expressão coletiva. Nos poemas, a ancestralidade manifesta-se como presença viva, continuamente atualizada no presente, revelando uma articulação entre experiência, memória e linguagem. Desse modo, conclui-se que a escrita de Olinda Beja se aproxima da escrevivência ao reinscrever, na linguagem poética, vivências diaspóricas e processos de construção identitária, contribuindo para a valorização das literaturas afrodiaspóricas e para a ampliação de perspectivas críticas no campo literário.
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