Representações do genocídio negro na poesia afro-brasileira

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59917/d9edb518


Palavras-chave:

Literatura afro-brasileira, Genocídio negro, Escrevivência

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar a representação do genocídio negro na poesia afro-brasileira contemporânea. Para tal exercício, tomou-se como corpus de análise um dos poemas que compõem a obra Flores de batalha (2023), de Sérgio Vaz, cujo título é “Recado” e o poema “Quadrilha”, de Lívia Natália, presente em Correntezas e outros estudos marinhos (2015). Utilizou-se como ponto de partida para as reflexões, o conceito de escrevivência de Conceição Evaristo, a fim de argumentar que a literatura afro-brasileira, muitas vezes, tem sido tomada como um instrumento para denunciar as violências que marcam cotidianamente a população negra brasileira. Ademais, pontuou-se o empenho em realizar uma leitura analítica dos poemas mencionados relacionando-os a acontecimentos históricos, tais como a Chacina do Cabula ocorrida em Salvador em 2015 e a “Megaoperação” que aconteceu no Rio de Janeiro em 2025.

Biografia do Autor

  • Celiomar Porfírio Ramos, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

    Doutor em Estudos Literários pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2022); Mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Estado de Mato Grosso (2024); Mestre em Estudos de Linguagem pela Universidade de Mato Grosso (2016); Graduado em Comunicação social - habilitação em Jornalismo - UFMT (2014); Graduado em Letras - habilitação em Português e Literatura da Língua Português - UFMT (2009). Segundo secretário da Associação Internacional dos Estudos Literários e Culturais Africanos (AFROLIC), GESTÃO 2024-2026. 

Referências

ABDALA JUNIOR, Benjamim. Literatura: história e política. São Paulo: Editora Ática, 1989.

APRIGIO, Monica Francisco, Nesse lugar de mãe de meninos pretos. In: DA SILVA JÚNIOR, Paulo Melgaço; CAMILO, Vandelir (Ed.). Masculinidades negras: novos debates ganhando formas. Ciclo Contínuo Editorial, 2022.

BONAMIGO, Irme Salete. Violências e contemporaneidade. Revista Katálysis, v. 11, p. 204-213, 2008.

BORGES, Juliana. Encarceramento em massa. São Paulo: Pólen; Sueli Carneiro, 2019.

CANDIDO, Antonio. Literatura e sociedade. Todavia, 2023.

CAVALCANTE, Lina; LOURINHO, Michele; MARTINS, Ana Carolina Borges Leão. Quem contou os tiros que mataram Mineirinho, quem conta os dias da morte de Marielle?. Cadernos de Psicanálise| CPRJ, v. 42, n. 42, p. 47-59, 2020.

DUARTE, Constância Lima; DUARTE, Eduardo de Assis. Texto e contexto – Ocupação Conceição Evaristo 2017. YouTube, 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FdOlgr028lI. Acesso em: 29 abr. 2026

CERQUEIRA, Daniel; BUENO, Samira (coord.). Atlas da Violência 2025. Brasília: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea); São Paulo: Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 2025. Disponível em: https://publicacoes.forumseguranca.org.br/server/api/core/bitstreams/d138ad78-cd6b-4f5e-9a4c-598e5106d111/content. Acesso em: 29 abr. 2026.

EVARISTO, Conceição. A Escrevivência e seus subtextos. In: DUARTE, Constância L.; NUNES, Isabela R. (org.). Escrevivência - a escrita de nós: reflexões sobre a obra de Conceição Evaristo. Rio de Janeiro: Mina Comunicação e Arte, 2020. 26-46.

FREITAS, Ivana Silva. O ponto e a encruzilhada: a poesia negra rasurando a literatura oficial através da intertextualidade. Pontos de Interrogação – Revista de Crítica Cultural, Alagoinhas-BA: Laboratório de Edição Fábrica de Letras - UNEB, v. 5, n. 2, p. 113–129, 2016.

HOOKS, Bell. A gente é da hora: Homens negros e masculinidades. Editora Elefante, 2022.

ITAÚ CULTURAL. Texto e contexto – Ocupação Conceição Evaristo (2017). YouTube, 3 maio 2017. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=vR0Ne2h0lwE. Acesso em: 17 maio 2026.

LISPECTOR, Clarice. O mineirinho. In: LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. Editora Rocco, 2020.

MARQUES, Lílian. Escritora diz ter sofrido censura em poema sobre morte de negro pela PM. G1 Bahia, Salvador, 27 jan. 2016. Disponível em: https://g1.globo.com/bahia/noticia/2016/01/escritora-diz-ter-sofrido-censura-em-poema-sobre-morte-de-negro-pela-pm.html. Acesso em: 17 maio 2026.

NATÁLIA, Lívia. Quadrilha. In: Correntezas e outros estudos Marinhos, Ed. Ogum´s Toques, 2015.

RAMOS, Silvia et al. Pele alvo: mortes que revelam um padrão. Rio de Janeiro: CESeC, 2025. Disponível em: https://observatorioseguranca.com.br/wordpress/wp-content/uploads/2025/11/RELATORIO_REDE-DE-OBS_PELE-ALVO-5_FINAL_0311.pdf. Acesso em: 17 maio 2026

RODRIGUES, Felipe Fanuel Xavier. Identidade poética de Lívia Natália. Revista Brasileira de Literatura Comparada, v. 23, p. 20-31, 2021.

SOUZA SANTOS, Glauce. O que podem três textos literários contra o genocídio negro?. ODEERE: Revista Internacional de Relações Étnicas, [S. l.], v. 8, n. 1, p. 84–105, 2023.

TENNINA, Lucía. Sérgio Vaz. uma literatura breve para ser feliz. Terra roxa e outras terras–Revista de Estudos Literários, 2020

VARGAS, João Costa. Por uma mudança de paradigma: antinegritude e antagonismo estrutural. Revista de Ciências Sociais. Fortaleza, v.48, n. 2, p.83-105, jul./dez., 2017.

VAZ, Sérgio. Flores da batalha. Global editora, 2023.

VIEIRA JUNIOR, Itamar. Coração sem medo. São Paulo: Todavia, 2025.

Publicado

2026-11-05

Como Citar

Representações do genocídio negro na poesia afro-brasileira. Polifonia, [S. l.], v. 33, n. 62, 2026. DOI: 10.59917/d9edb518. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/polifonia/article/view/21595. Acesso em: 6 nov. 2026.