A linguagem poética como via de acesso ao real: aproximações entre Lacan e a poesia
DOI:
https://doi.org/10.59917/xxgj4515Palavras-chave:
poesia, psicanálise, escrita chinesaResumo
Neste estudo, discutiremos a relação entre poesia e psicanálise a partir da teoria de Jacques Lacan, tomando como eixo a noção de verdade e sua articulação com a linguagem. Parte-se do pressuposto de que a interpretação poética, ao operar pelo equívoco, pela sonoridade, pelo ritmo e pelo não-dito, desloca a leitura do inconsciente para além da decifração simbólica e da busca por sentidos totalizantes. O objetivo consistiu em compreender de que modo a função poética da linguagem pode tocar algo do real do sujeito, bem como examinar a contribuição da poesia chinesa e da escrita chinesa para esse debate. Trata-se de pesquisa teórica, qualitativa e bibliográfica, orientada por leitura interpretativo-conceitual de textos de Lacan e de estudos críticos sobre interpretação poética, letra, escrita e clínica. Os resultados indicam que a poesia chinesa oferece um horizonte decisivo para pensar a materialidade da linguagem, a função do vazio, a inscrição da letra e a verdade como semi-dizer. Concluímos que a interlocução entre poesia e psicanálise permite compreender a interpretação menos como explicação e mais como pontuação, corte e ressonância, abrindo também implicações clínicas importantes para uma escuta atenta ao equívoco e à singularidade do dizer.
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