O protagonismo do herói negro nas literaturas das Américas: uma análise de O reino deste Mundo
DOI:
https://doi.org/10.59917/524q5j25Palavras-chave:
Palavras-chave: protagonismo negro; literatura latino-americana; maravilhoso real.Resumo
Neste trabalho, analisamos a construção do herói negro na obra O Reino deste Mundo, de Alejo Carpentier. Investigamos o problema da escassez de representações heroicas negras no cânone literário brasileiro e ocidental de matriz eurocêntrica, problematizando como essa ausência configura um dispositivo de manutenção da invisibilidade histórica e social. Justificamos a pesquisa pela necessidade de fomentar processos de descolonização mental e romper com o apagamento das identidades afro-latino-americanas. No plano metodológico, a investigação situa-se no campo disciplinar da Literatura Comparada, operando por meio da análise textual analítica e imanente (close reading). O estudo ancora-se nas contribuições teóricas da descolonialidade — mobilizando autores como Frantz Fanon, Walter Mignolo, Catherine Walsh e Aníbal Quijano — articuladas à sociologia crítica brasileira e da invisibilidade, representada fundamentalmente pelas análises de Florestan Fernandes e Jessé de Souza. Como resultado, demonstramos que as figuras de Mackandal e Ti Noël emergem como arquétipos de soberania espiritual e histórica, subvertendo a lógica da subalternidade passiva por meio da estética do maravilhoso real. Concluímos que tais representações são fundamentais para a refundação de identidades nacionais inclusivas e para o enfrentamento de ordens ideológicas coloniais persistentes no imaginário das Américas.
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