(DE)COLONIALIDADE DA LINGUAGEM, LOCUS ENUNCIATIVO E CONSTITUIÇÃO IDENTITÁRIA EM GLORIA ANZALDÚA UMA “NEW MESTIZA”

Autores

  • Livia Marcia Tiba Radis Baptista Universidade Federal da Bahia

Palavras-chave:

Decolonialidade, Linguística Aplicada, identidades

Resumo

A colonialidade do poder afeta as práticas de linguagem, as identidades e os sujeitos, e, por isso, torna-se necessário aprofundar o exame dos efeitos dessa nas práticas sociais, pois por meio da linguagem são tanto (re)afirmadas como negociadas as múltiplas identidades. Desse modo, a colonialidade da linguagem constitui-se uma das caras da colonialidade do poder-saber e essa dimensão traz em si ricas questões epistemológicas e metodológicas por incitar uma reavaliação da forma como o conhecimento sobre as línguas e práticas de linguagem tem se erigido e estabelecido na contemporaneidade e como essa epistemologia tem contribuído para a invisibilização e/ou apagamento do outro ao servir para manter relações de subalternidade entre sujeitos, línguas e culturas. Neste sentido, no âmbito do pensamento político latino-americano, tem se levantado uma crítica contundente à lógica epistemológica que sustenta a colonialidade, particularmente, quanto aos padrões de saber e poder impostos pela racionalidade moderna e neste cenário localizamos a produção da escritora chicana Gloria Anzaldúa. Assim, neste texto elucidamos nosso entendimento acerca da dimensão da colonialidade da linguagem como interface da colonialidade do poder, situamos o locus enunciativo instaurado por Gloria Anzaldúa e, em seguida, abordamos  a interrrelação entre língua e identidade, destacando a dimensão da colonialidade da linguagem e seus efeitos para pensarmos a educação linguística em nosso contexto, considerando as relações de poder entre as línguas e os sujeitos subalternizados, o papel das instituições, sobretudo, a escolar na manutenção dessas assimetrias e as relações de poder e seus impactos nos processos identitários.

Palavras-chave: decolonialidade, Linguística Aplicada, identidades.

Biografia do Autor

Livia Marcia Tiba Radis Baptista, Universidade Federal da Bahia

Professora associada da Universidade Federal da Bahia e do Programa de Pós-Graduação em Língua e Cultura dessa instituição.

Referências

ANZALDÚA, Gloria. [1987] Borderlands/La Frontera. The New Mestiza. Traducción Carmen Valle. Madrid, España: Capitán Swing Libros S.L., 2016.

ARGÜELLO PARRA, A. Pedagogía decolonial: hacia una comprensión/acción educativa en las sociedades emergentes. In: GÓMEZ ARÉVALO, J. A. A. (Comp.). Educación, sociedad e interculturalidad: diálogos desde la comprensión y acción educativa en América Latina. Bogotá: Vicerrectoría de Universidad Abierta y a Distancia, 2016. p. 87- 135.

BELAUSTEGUIGOITIA RIUS, M. Límites y fronteras: la pedagogía del cruce y la transdisciplina en la obra de Gloria Anzaldúa. Estudos Feministas, Florianópolis, vol. 17, n.3, p. 755-767, setembro-dezembro/2009.

Disponível em: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-026X2009000300008>. Acesso em: 26 ago.2019.

BETHANIA, M. A colonização linguística no Brasil e nos Estados Unidos: uma comparação. Cadernos de Letras da UFF- GLC, n. 27, p. 7-21, 2003. Disponível em: < http://www.cadernosdeletras.uff.br/joomla/images/stories/edicoes/27/artigo1.pdf>. Acesso em: 26 ago.2019.

FRIEDMAN, S. S. O “falar da frontera”, o hibridismo e a performatividade: Teoria da cultura e identidade nos espaços intersticiais da diferença. Revista Crítica de Ciências Sociais, Coimbra, n. 61, p. 5-28, 2001. Disponível em: < https://www.eurozine.com/o-falar-da-fronteira-o-hibridismo-e-a-performatividade/>. Acesso em: 28 ago.2019.

GARCÍA AMARAL, M. L. Ciudades fronterizas del Norte de México. In: Anales de Geografía de la Universidad Complutense, vol. 27, núm. 2, 41-57, 2007. Disponível em: < https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=2520499>. Acesso em: 26 ago.2019.

GARDUÑO, E. La frontera norte de México: Campo de desplazamiento, interacción y disputa. Frontera norte [online]. vol.28, n.55, pp.131-151, 2016. ISSN 2594-0260. Disponível em: <http://www.scielo.org.mx/scielo.php?pid=S0187-73722016000100006&script=sci_abstract>.

GÓMEZ-QUINTERO, J. D. La colonialidad del ser y del saber: la mitologización del desarrollo en América Latina. El Ágora USB, Medellín, Colombia, n. 1, v. 10, p. 87-105, enero-junio 2010. Disponível em: <https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=3642109>. Acesso em: 31 maio 2019.

GROSFOGUEL, R. La descolonización de la economía y los estudios postcoloniales: Transmodernidad, pensamiento fronterizo y colonialidad global. Tabula Rasa, Bogotá, Colombia, n. 4, p. 17-48, enero-junio 2006. Disponível em <http://www.scielo.org.co/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S1794-24892006000100002>. Acesso em: 31 maio 2019.

MALDONADO-TORRES, N. Sobre la colonialidad del ser: contribuciones al desarrollo de un concepto. In: CASTRO-GOMÉZ, S.; GROSFOGUEL, R. (Comp.) El giro decolonial: reflexiones para uma diversidad epistêmica más allá del capitalismo global. Bogotá: Siglo del Hombre Editores; Universidad Central, Instituto de Estudios Sociales Contemporáneos, Pontificia Universidad Javeriana, Instituto Pensar, 2007. Disponível em: <https://enriquedussel.com/txt/Textos_200_Obras/Filosofos_latinos_EU/1P.Filosofos_latinos_EU.pdf>. Acesso em: 01 jun 2019.

MIGNOLO, W. Historias locales/diseños globales. Colonialidad, conocimientos subalternos y pensamiento fronterizo. Madrid: Ediciones Akal, 2003, 452p.

RAMPTON, B.; BLOMMAERT, J. Language and superdiversity. Diversities, v.13, n.2, p.1-21, 2011. Disponível em: <http://www.unesco.org/new/en/social-and-human-sciences/resources/periodicals/diversities/past-issues/vol-13-no-2-2011/language-and-superdiversity>. Acesso: 27 ago.2019.

SOUSA SANTOS, B. Epistemologías del Sur. Utopía y Praxis Latinoamericana. Revista Internacional de Filosofía Iberoamericana y Teoría Social Utopía y Praxis Latinoamericana, Maracaibo, Venezuela, n. 54, año 16, p. 17-39, julio-septiembre, 2011. Disponível em <http://www.boaventuradesousasantos.pt/media/EpistemologiasDelSur_Utopia%20y%20Praxis%20Latinoamericana_2011.pdf>. Acesso em: 31 mai. 2019.

VERONELLI, G. A. Sobre la colonialidad del lenguaje. Revista Javeriana. Universitas Humanística, Bogotá, Colombia, n.1, p. 33-58, enero-junio de 2015. Disponível em: <https://dialnet.unirioja.es/servlet/articulo?codigo=5287506>. Acesso em: 01 junho 2019.

VIZCARRA, F. En busca de la frontera y otros ensayos sobre comunicación y cultura. Mexicali: Universidad Autónoma de Baja California, 2012.

Downloads

Publicado

2019-11-30