A criatura política d’O homem duplicado

Autores

  • Paulo Custódio de Oliveira UFGD

Resumo

Propomos uma leitura do personagem central do filme O homem duplicado (2014), de Denis Velleneuve, uma adaptação do livro homônimo de José Saramago (2002). Embora exista um câmbio dramático do filme para o livro, tanto um quanto o outro recusam o esquema cronológico e o final explicativo/condensador das contradições que apresentam. Enquanto processo de adaptação (HUTCHEON, 2013), a obra fílmica se rearticula, tomando do livro apenas a questão da duplicidade como artifício narrativo para a questão da experiência temporal. A hipótese conclusiva é que o resultado estético pode ser capitalizado para a discussão da politização do espectador. Para vencer a impressão de alheamento causado pela trama, o artigo se vale dos trabalhos de Jacques Rancière (2005) para a relação da arte com a política e de Gilles Deleuze (2013) e Rodrigo Guéron (2011) para as questões especificamente cinematográficas.

Palavras-chave: Literatura, Cinema, O homem duplicado.

Referências

BERGSON, H. Matéria e memória. Trad. Paulo Neves. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1999.

DELEUZE, G. A Imagem-Tempo. Trad. Eloisa de Araújo Ribeiro; revisão filosófica Renato Janine Ribeiro. São Paulo: Brasiliense, 2013.

GUÉRON, R. Da imagem ao clichê, do clichê à imagem – Deleuze, cinema e pensamento. Rio de Janeiro: NAU Editora, 2011.

O HOMEM duplicado. Direção: Denis Villeneuve. Intérpretes: Jake Gyllenhaal, Mélanie Laurent, Isabella Rossellini, Sarah Gadon, Stephen R. Hart, Jane Moffat, Joshua Peace, Tim Post. Roteiro: Javier Guillon. Produção: Rhombus media e Roxbury pictures. Canadá e Espanha. 2014. 90 min. Son, NTSC, colorido.

HUTCHEON, L. Uma teoria da adaptação. Tradução André Cechinel. 2. ed. Florianópolis: UFSC, 2013.

RANCIÈRE, J. A partilha do sensível: estética e política. São Paulo: EXO experimental org., 2005.

RANCIÈRE, J. Política da arte. Urdimento Revista de Estudo de Artes Cênicas, Florianópolis, v. 1, n. 15, p. 45-60, out. 2010.

RANCIÈRE, J. O espectador emancipado. São Paulo: Martins Fontes, 2012.

RANCIÈRE, J. O fio partido: ensaios sobre a ficção moderna. São Paulo: Martins Fontes, 2017.

RICOUER, P. Tempo e Narrativa (tomo 1). Campinas: Papirus, 1994.

SARAMAGO, J. O homem duplicado. Companhia das Letras, 2002.

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Publicado

2019-07-16