A representação identitária em letras de músicas d’O Rappa e no livro Os transparentes, de Ondjaki: uma abordagem discursiva

Autores

  • Débora Letícia Silva de Araújo, Jéssica Santana dos Santos e Cesar Augusto de Oliveira Casella

Resumo

Neste artigo analisamos, sob uma abordagem discursiva, a representação da identidade em dois diferentes objetos culturais, ambos tratando de grupos marginalizados. Nesta pesquisa, metodologicamente bibliográfica, investigamos materiais impressos e examinamos de que forma foi construída, discursivamente, a identidade do trabalhador em letras de músicas d’O Rappa, e a identidade nacional angolana em Os Transparentes, de Ondjaki. Partimos das noções teóricas de Discurso e de Identidade, advindas da Análise do Discurso e dos Estudos Culturais, respectivamente. Entendemos o discurso como uma dispersão de enunciados inseridos num contexto sócio-histórico e que constituem uma regularidade e um efeito de sentido, originado na interlocução. Trabalhamos a identidade no contexto da pós-modernidade, fortemente articulada à noção de diferença, e a compreendemos como um processo discursivo, inserido social e historicamente, que se modifica no decorrer do tempo. Nossas análises indicaram que é pela produção de um certo discurso, tanto nas letras quanto no desenvolvimento do romance, que essas obras se transformam em objetos de afirmação de diferentes identidades. Assim, constatamos que as representações de identidades culturais, como significações produzidas através de uma determinada língua, assumem o papel de dar aos grupos populares a que se referem uma consciência de sua identidade e de sua força.

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Publicado

2018-12-27

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