"Pobre Schubert, que já não pode escolher a companhia com que anda": uma leitura de Crime Delicado, de Beto Brant

Autores

  • Leonardo Francisco Soares leonardo.soares@ufu.br
    Universidade Federal de Uberlândia

Palavras-chave:

Beto Brant, Crime delicado, Romantismo

Resumo

Análise do filme Crime delicado (2005), de Beto Brant, enfatizando o diálogo que este estabelece com a escola romântica. São vários os exemplos dessa aproximação: a trama começa e termina com a música de Franz Schubert; são representados fragmentos dos dramas românticos Woyzeck (1837) e Leonor de Mendonça (1846); além disso, o próprio estatuto da arte é questionado. Ao dialogar com a estética romântica, em seu espírito de renovação, transgressão e ruptura permanentes, o filme de Brant permite-nos refletir sobre essa faceta irônica, crítica e experimentalista do Romantismo e seu importante papel na mudança de valorização estética e dos parâmetros da análise cultural.

Biografia do Autor

Leonardo Francisco Soares, Universidade Federal de Uberlândia

Professor Associado do Instituto de Letras e Linguística da Universidade Federal de Uberlândia. Professor Permanente do Programa de Pós-graduação em Estudos Literaturas da mesma instituição.

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Publicado

2018-12-27

Como Citar

SOARES, L. F. &quot;Pobre Schubert, que já não pode escolher a companhia com que anda&quot;: uma leitura de Crime Delicado, de Beto Brant. Polifonia, [S. l.], v. 25, n. 40.2, p. 239–252, 2018. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/polifonia/article/view/6101. Acesso em: 14 jun. 2024.

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