A escrita de autoria feminina negra: a identidade de gênero e raça na poética de Cristiane Sobral
DOI:
https://doi.org/10.59917/6xmvsz33Palavras-chave:
Poesia negro-brasileira, . Decolonialidade, Identidade, AncestralidadeResumo
A literatura contemporânea brasileira, embora marcada pela diversidade temática e estética, ainda marginaliza a produção de autoras negras, cuja escrita permanece, historicamente, silenciada por um cânone centrado na experiência masculina e branca. Neste contexto, o da autoria feminina negra, a pesquisa se justifica pela relevância em que a poesia de Cristiane Sobral atua no cenário da poesia lírica por trazer uma escrita engajada que articula identidade, resistência e autorrepresentação da mulher negra pela crítica decolonial. A problemática questiona de que modo a autoria feminina negra de Cristiane Sobral atua como prática estética e política de resistência, promovendo a ressignificação da identidade da mulher negra no cenário sociocultural brasileiro. O objetivo é analisar a construção da identidade da mulher negra na poesia lírica, evidenciando como as questões de raça, de gênero e de classe social se articulam para as constituições das subjetividades e das formas de resistência. Como a poesia da autora emerge do enfrentamento aos discursos que relegam a mulher negra à subalternidade social, cultural e simbólica, o trabalho se fundamenta pelo viés dos estudos culturais e literários por meio do feminismo negro, da decolonialidade e da interseccionalidade com Akotirene (2019), Kilomba (2019), Carneiro (2005), Lugones (2020), Nascimento (2021), Collins e Bilge (2021); bem como os da poesia negro-brasileira com Cuti (2010), Duarte (2019) e Evaristo (2026). Para isso, convocou-se a pesquisa bibliográfica, qualitativa e exploratória orientada pelo método indutivo e fenomenológico (Durão, 2020; Triviños, 1987). Os resultados alcançados ressignificam, através da poesia lírica, as experiências históricas de opressão, transformando o corpo, a estética do cabelo e a memória em espaços de emancipação ao desestabilizar o cânone patriarcal eurocêntrico para promover a visibilidade das epistemologias e das experiências negras femininas.
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