Entre o quartinho e o berço de ouro: narrativas infantis e hierarquias sociais em Solitária, de Eliana Alves Cruz
DOI:
https://doi.org/10.59917/h31z6907Palavras-chave:
Quarto de empregada, Solitária, Eliana Alves CruzResumo
A presente pesquisa tem como objetivo geral investigar como as narrativas infantis em Solitária (2022), de Eliana Alves Cruz, funcionam como dispositivos críticos que evidenciam a permanência da colonialidade nas relações sociais e espaciais marcadas pela desigualdade social no Brasil. Assim, a partir da personagem Camilinha, criança branca, filha dos patrões brancos e ricos, busca-se analisar os privilégios simbólicos e materiais em detrimento de crianças negras, como Mabel, filha de Eunice, que cresce confinada ao espaço do quartinho de empegada da mãe. A metodologia é básica, precedida de levantamento bibliográfico, a partir da análise-crítica qualitativa, tendo como corpus os capítulos Quarto do bebê e Janela, os quais contemplam marcas da trajetória das crianças moldadas pela lógica colonial que tende a organizar a branquitude como centro e a negritude como serviçal. O referencial teórico será guiado pelas categorias de decolonialidade, raça, desigualdade social, trabalho doméstico, com estudos de teóricos como Conceição Evaristo (2007), Lélia González (2020), Juliana Teixeira (2019), Luiz Cuti (2020), bell hooks (2019) entre outros. A partir da análise, intentamos demonstrar passagens em que a presença das crianças explicita a formação desigual de subjetividades, sobretudo nas cenas que envolvem a distribuição dos afetos, das ordens, dos espaços e das violências simbólicas estruturantes do cotidiano doméstico. Assim, buscaremos retratar, a partir de Camilinha e Mabel, como o romance contemporâneo produz uma contranarrativa sob o viés da decolonialidade, oportunizando discussões literárias e críticas por meio da consciência, da resistência e do lugar das personagens negras crianças na literatura brasileira.
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