“Navio negreiro” em cena: dos versos de Castro Alves à dramaturgia do Cena Onze

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59917/p8446r73


Palavras-chave:

Poesia, dramaturgia, decolonialidade

Resumo

No presente artigo, analisamos a adaptação dramatúrgica do poema “Navio Negreiro”, de Castro Alves, para a cena teatral homônima na montagem realizada pelo Grupo Cena Onze e apresentada no Museu Histórico de Mato Grosso, em 2014. A investigação parte do tensionamento entre a narrativa museológica, marcada pela exaltação de elementos coloniais e invisibilização de pessoas pretas na história de Mato Grosso, e a potência crítica da encenação, dirigida por uma jovem diretora negra, cuja perspectiva estética e política desloca e reestrutura sentidos. Nossa análise articula literatura e teatro, argumentamos que a montagem produz fissuras no discurso histórico hegemônico do museu, pois ao interpretar o poema abolicionista e inscrevê-lo em sua dramaturgia, a encenação do Cena Onze toma o espaço museal como território de disputa simbólica, ampliando a compreensão sobre como a arte potencialmente tensiona as estruturas coloniais. Assim, a ocupação de um espaço historicamente marcado pela narrativa oficial convoca o público a repensar as permanências de práticas e pensamentos da sociedade escravocrata na contemporaneidade. Os corpos negros em cena, em confronto com a arquitetura e a simbologia do museu, intensificaram o gesto político da montagem, fazendo com que a transposição do poema em peça possibilitasse o deslocamento de sua crítica para os debates sobre memória, justiça social e representatividade.

Biografia do Autor

  • Flávio José Ferreira, Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT)

    Mestrando do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários, Graduado em Direito, Especialista em Direito das Obrigações, dramaturgo e diretor de teatro, (DRT-MT), dirigiu mais de 40 espetáculos; Cofundador da Associação Cultural Cena Onze; Diretor artístico da MT Escola de teatro; secretário da Comissão Nacional de Direitos Humanos e presidente da Comissão Especial de Cultura e Arte da OAB. 

  • Agnaldo Rodrigues da Silva, Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT)

    Pós-doutor pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Doutor e Mestre pela Universidade de São Paulo (USP), Livre-Docente da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT). Atua no Curso de Letras, Teatro e no Programa de Pós-graduação em Estudos Literários (PPGEL/ UNEMAT). É escritor, crítico e ensaísta. 

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Publicado

2026-11-05

Como Citar

“Navio negreiro” em cena: dos versos de Castro Alves à dramaturgia do Cena Onze. Polifonia, [S. l.], v. 33, n. 62, 2026. DOI: 10.59917/p8446r73. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/polifonia/article/view/21537. Acesso em: 6 nov. 2026.