Do ritmo à resistência: a congada como corpo de saberes, memória, oralitura e epistemologia afro-brasileira.
DOI:
https://doi.org/10.59917/y1jhmy57Palavras-chave:
corporeidade, epistemologia afro-diaspórica, justiça epistêmica, oralitura, pedagogia críticaResumo
Neste artigo, analisa-se a Congada como epistemologia encarnada e prática de linguagem performática afro-brasileira, compreendida como forma legítima de produção de saber inscrita na oralitura e na ritualidade coletiva. O objetivo é demonstrar que a Congada configura um regime próprio de significação e validação do conhecimento, capaz de tensionar a centralidade da escrita como critério exclusivo de legitimidade epistêmica. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa e teórico-interpretativa que prescinde da pretensão etnográfica para focar na análise de enunciados performáticos estabilizados. Fundamentado nas Epistemologias do Sul, na pedagogia crítica e na filosofia decolonial, o estudo mobiliza cantos, gestos e objetos rituais tratados em sua materialidade multimodal. Os resultados mostram que esses elementos operam como dispositivos enunciativos pelos quais se produzem memória histórica, pertencimento comunitário e formação ética e política dos sujeitos, ao mesmo tempo em que confrontam regimes coloniais de saber e mecanismos de exclusão. Conclui-se que a Congada atua como prática concreta de justiça epistêmica e pedagógica, reconhecendo, legitimando e reinscrevendo modos afro-diaspóricos de conhecimento, ampliando os horizontes da linguagem, da educação e da produção de saber, enquanto fortalece práticas de resistência, memória coletiva e pluralidade epistemológica.
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