A metáfora do duo
necropolítica e patrimonialismo em O Salvador do Mundo, de José Roberto Aguilar
DOI:
https://doi.org/10.59917/t90grb13Palavras-chave:
Necropolítica, Patrimonialismo, Estamento burocrático brasileiroResumo
A representação-efeito do patrimonialismo, do estamento burocrático e de seus efeitos causados pela necropolítica no Brasil são os eixos temáticos que configuram toda a trama de O Salvador do Mundo, de José Roberto Aguilar. O nosso objetivo é apresentar uma análise de como esses elementos se consubstanciam no gênero romance, e apontar o modo como esta ação se converge pela metáfora do duo. A narrativa detém do discurso da linguagem da semelhança e está fundamentada no viés teórico-fenomenológico ricoeuriano para descrever que a ascensão social das personagens está como objeto do mundo devido a sua valorização ao consumo e ao dinheiro. O trabalho concentra-se nos princípios metodológicos do método indutivo, da pesquisa bibliográfica, qualitativa e analítica, descrevendo que o processo de desumanização da narrativa não está ligado, diretamente, à condição psicológica do narrador, mas sim à subjetividade objetiva dos fatores externos sociais. A partir daí, convocamos, de um lado, os estudos do capitalismo moderno orientado e da política do necropoder; e do outro, a maneira de como estes elementos são articulados dentro do romance enquanto um gênero inacabado. Dentre os resultados apresentados, asseveramos que a escrita foi capaz de representar a permanência do Estado patrimonial na sociedade pós-colonial brasileira dentro de um contexto de resistência e, sobretudo, da narrativa instaurar uma estética inovadora.
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