Quando a esmola é demais, o santo desconfia

O fantástico e a sátira social em “Entre Santos”, de Machado de Assis

Autores

  • Gislei Martins de Souza Oliveira polifoniapa@gmail.com
    Instituto Federal de Mato Grosso

DOI:

10.59917/rpolifonia.v29i56.16572

Resumo

Propomos o estudo dirigido do conto “Entre Santos”, de Machado de Assis, com a finalidade de identificar elementos do fantástico configurados pelo autor na tentativa de erigir uma sátira à sociedade de seu tempo. Este conto apresenta uma narrativa em moldura que traz, de um lado, a história do capelão de S. Francisco de Paula posicionado como narrador-ator e, de outro, as histórias contadas pelos santos. Temos suporte na perspectiva de que o sujeito da enunciação referente à escritura fantástica constitui, assim como em outros textos ficcionais, uma figura relevante, porque produz o efeito de verossimilhança necessário à manutenção da ambiguidade. Nesse sentido, acreditamos que o narrador tem um papel fundamental na ficção fantástica, pois tende a reforçar a sua autoridade como testemunha da irrupção do sobrenatural. Além dessas considerações, vemos que a posição ocupada pelo narrador-ator em “Entre santos” constitui uma estratégia narrativa que desvela o funcionamento da sociedade brasileira no século XIX.

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Publicado

2023-11-01

Como Citar

OLIVEIRA, G. M. de S. . . Quando a esmola é demais, o santo desconfia: O fantástico e a sátira social em “Entre Santos”, de Machado de Assis. Polifonia, [S. l.], v. 29, n. 56, p. 40–53, 2023. DOI: 10.59917/rpolifonia.v29i56.16572. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/polifonia/article/view/16572. Acesso em: 15 jun. 2024.