A fantasia do corpo inconsistente do capital

Alegorias discursivas

Autores

  • Leda Verdiani Tfouni polifoniapa@gmail.com
    Universidade de São Paulo (USP)
  • Leny A. Pimenta polifoniapa@gmail.com
    Universidade Estadual Paulista (UNESP)

Resumo

As reconfigurações do trabalho no século XXI revelam traços de novas formas de escravização. Pretendemos discutir, neste artigo, a discursivização da grave crise social moderna que se concretiza em relações de trabalho caracterizadas pela redução do quadro fixo de pessoal ligado às empresas e do desaparecimento de vínculos entre trabalhadores e patrões. Trata-se da emergência do trabalho informal e de uma nova classe social: o precariado. Tomaremos como objeto principal de análise o ícone da capa do livro de Guy Standing, O precariado: A nova classe econômica, que se inspirou em um mural de Berlim pintado pelo artista italiano BLU. Seguiremos a metodologia do paradigma indiciário, ancorando-nos nas teorias da análise do discurso francesa de Pêcheux e Foucault, e da psicanálise de Freud e Lacan. Mobilizaremos os conceitos de monstruosidade, equívoco e acontecimento, enfatizando a relação intersemiótica do ícone com a materialidade linguística da capa, remetendo às suas condições de produção.

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Publicado

2023-01-23

Como Citar

VERDIANI TFOUNI, L. .; PIMENTA, L. A. . A fantasia do corpo inconsistente do capital: Alegorias discursivas. Polifonia, [S. l.], v. 29, n. 53, p. 41–60, 2023. Disponível em: https://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/polifonia/article/view/14858. Acesso em: 19 jun. 2024.