Análise do cronotopo bakhtiniano na obra A Invenção do Morel, de Bioy Casares

Autores

  • Carlos Versiani dos Anjos Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)
  • Gerizilda Dantas de Souza Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Palavras-chave:

A Invenção de Morel, cronotopo, modernidade

Resumo

No presente artigo analisamos a obra A invenção de Morel, de Adolfo Bioy Casares, pela perspectiva do conceito de cronotopo, desenvolvido por Bakhtin, sobre a relação espaço/tempo na literatura. O objetivo é responder como o cronotopo é apresentado na obra de Casares, através das escolhas e percursos trilhados pelo personagem Fugitivo. Elegemos, para nossa análise, as tipologias do “cronotopo de encontro” e do “cronotopo de metamorfose”, categorias explicitadas nos estudos backhtinianos. Percebemos, ao final, que o cronotopo se realiza no texto por uma supressão do tempo/espaço, ou seja, os personagens escolhem viver sob uma eterna repetição do tempo, sem poder modificar, ou mesmo acompanhar as mudanças à sua volta. Entendemos ser possível identificar que o Fugitivo expressa o homem moderno em sua face mais frágil e contraditória, com medo do progresso do mundo e das mudanças que não pode controlar. Entrega-se, por fim, a uma engenhosidade que o faça abdicar do seu protagonismo, como sujeito de sua própria História, deslocando-se para fora do espaço/tempo real.  

Biografia do Autor

Carlos Versiani dos Anjos, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN)

Graduado em História pela UFOP, mestre em História Social pela USP, doutor em Estudos Literários pela UFMG. Professor Visitante da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, Programa de Pós Graduação em Letras, Campus Pau dos Ferros.

Gerizilda Dantas de Souza, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Graduada em Letras pela UERN; Mestranda no Programa de Pós Graduação em Letras da UERN

Referências

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Publicado

2021-04-03