Reterritorializar, desterritorializar: Quarenta Dias, de Maria Valéria Rezende

Autores

Palavras-chave:

Quarenta dias, Maria Valéria Rezende, desterritorialização, reterritorialização.

Resumo

Tendo em vista que o sujeito contemporâneo é em si fragmentado, múltiplo e heterogêneo, podemos evidenciar que os ideais da diferença e que abarcam a multiplicidade, a partir da filosofia deleuze-guattariana, se configuram enquanto elementos essenciais para uma compreensão acerca da construção do outro em um contexto de alteridade e indispensável atenção às relações dialógicas e interculturais. Assim, a literatura brasileira contemporânea, para além de um processo de representação, evidencia um conjunto de questões tanto de ordem coletiva quanto de cunho individual, ao passo que a problemática entre identidade e singularidade se acentua, observando que os grupos historicamente subalternizados tendem a lutar pela desestabilização ou horizontalização da homogeneidade que os reduz à figura do autêntico, quando, na realidade, dentro destes grupos há uma gama de singularidades. A partir dessas questões, neste artigo nos propomos a discutir, a partir do romance Quarenta dias (2014), de Maria Valéria Rezende, a força que a maternidade como identidade apriorística exerce sob Alice, a personagem protagonista, e os engendramentos por ela empreendidos a fim de desestabilizar tais condicionamentos de natureza sócio histórica atribuídos à figura da mulher de meia idade, evidenciando a desterritorialização e reterritorialização enquanto linhas de fuga e movimentos indispensáveis para o processo de construção de subjetividades.

Biografia do Autor

BRUNO SANTOS MELO, Universidade Estadual da Paraíba

Graduado em Letras Português (2017) pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), mestre (2020) e doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura e Interculturalidade (PPGLI) pela mesma instituição, na linha de pesquisa intitulada "Literatura Comparada e Intermidialidade; desenvolve um trabalho de tese em torno da atuação dos personagens secundários no arco "Guerra Civil", em HQ's da Marvel. Atualmente, é integrante do GELCCO (Grupo de Estudos de Literatura e Crítica Contemporâneas (UEPB/CNPq) e do grupo de pesquisa Observatório de Crítica Literária, Ensino e Criação (UEPB/CNPQ). Tem interesse por temáticas que versam sobre literatura brasileira contemporânea, teoria literária e estudo de literatura e outras artes.

Luciano Barbosa Justino, Universidade Estadual da Paraíba

Doutor pelo Programa de Pós Graduação em Letras e Linguística da Universidade Federal de Pernambuco (2005), com tese intitulada "Poiesis de campos: poesia e poética em Augusto de Campos". Tem experiência na área de Letras, com interesse em poesia e prosa contemporâneas, em especial na interface literatura/intermidialidade e "literaturas de multidão". Atua como docente pesquisador no Programa de Pós-graduação em Literatura e Interculturalidade da UEPB. No triênio 2016-2018, desenvolveu o projeto de pesquisa "Literatura de multidão: trabalho imaterial e oralização da literatura no Brasil contemporâneo", com estágio pós-doutoral na Universidade Federal Fluminense sob a supervisão de José Luís Jobim, com financiamento do CNPq no quadro de bolsas de Pós-doutorado no país. No triênio 2018-2020 desenvolve o projeto de pesquisa "O romance histórico brasileiro contemporâneo", com estágio pós-doutoral na UFRN de setembro de 2018 a agosto de 2019, sob a supervisão de Derivaldo Santos, no quadro de bolsas de PNPD/CAPES, É líder do Grupo de Pesquisa "Observatório de crítica literária, ensino e criação"

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Publicado

2020-10-05