A oralidade do bobo em duas traduções brasileiras de Romeu e Julieta

Autores

Palavras-chave:

Oralidade. Bobo. Teatro. Romeu e Julieta. Traduções brasileiras.

Resumo

Tomando a oralidade teatral como ponto de partida, esse texto tem como propósito elaborar uma comparação de duas traduções brasileiras da peça Romeu e Julieta, de William Shakespeare. A cena escolhida é a terceira do primeiro ato, na qual Senhora Capuleto e a Ama estão convencendo a jovem protagonista a se casar com Páris. Essa cena é marcada pelo uso constante de ambiguidades obscenas e metáforas por parte da Ama, ao passo que Senhora Capuleto se vale também de metáforas para tratar do tema do casamento. Assim, o enfoque dado para esse artigo é uma comparação das escolhas dos tradutores Onestaldo de Pennafort e Carlos Alberto Nunes na exegese dos trocadilhos originais em língua inglesa. O instrumental teórico se parte das considerações de José Roberto O’Shea (1996), Marlene Fortuna (2000, 2010, 2011), Daniel Marques da Silva (2005), entre outros nomes provenientes dos Estudos da Tradução e dos Estudos Teatrais.

Biografia do Autor

Tiago Marques Luiz, UEMS

Possui graduação em Letras Licenciatura/Habilitação Português/Inglês pela Universidade Federal da Grande Dourados (2009), especialização em Tradução de Inglês pela Universidade Gama Filho (2011), Mestrado em Estudos da Tradução pela Universidade Federal de Santa Catarina (2013) e Doutorado em Estudos Literários pela Universidade Federal de Uberlândia (2019). Atualmente é professor contratado na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul.

Nilton César Ferreira, UNIOESTE

Possui graduação em Letras, Licenciatura, com habilitação em Língua Portuguesa e em Língua Inglesa e suas Respectivas Literaturas, pela Faculdade de Presidente Prudente - FAPEPE (2008) e Mestrado em Letras - Linguagem e Sociedade pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE (2019).

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Publicado

2020-10-05

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