O ÍNDIO GUARANI-KAIOWÁ DA RESERVA INDIGENA DE DOURADOS, MATO GROSSO DO SUL, BRASIL: UM OLHAR SEMIÓTICO

Autores

  • Rita de Cássia Pacheco Limberti

Resumo

As condições de vida da população Guarani (Kayowá), habitantes da Reserva Indígena de Dourados, cidade do estado de Mato Grosso do Sul, que possui a segunda maior população indígena do Brasil, apresentam um desafio em busca de compreensão e soluções. São índios adultos, recrutados por “gatos” e transportados em caminhões para ser explorados em jornadas brutais de trabalho. São índias com seus filhos pendurados nas mamas a perambular pela cidade, mendigando nas portas das casas, bancos, supermercados, ou revirando latas de lixo. A aldeia, muito pró-xima à cidade, é cortada por uma rodovia, que é utilizada imprudentemente pelos brancos. A pé, os índios vão e vêm pelo acostamento, bêbados, sãos ou doentes, em busca de remédio, pinga e pão. As crianças menores, fincadas nas ancas das maiores, vão assimilando, inocentemente, esse jeito marginal de ser. Quando ficam jovens, sem ter em que se escorar, muitos se suicidam, enforcando-se. Os mais privilegiados possuem uma carrocinha e vão à cidade vender mandioca e milho e comprar produtos de mercearia como pilha, gás, café, sabão. Oriundas de troca por mandioca e milho, as roupas não sofrem seleção. São índias com calça de braguilha e índios de colar, tênis e calção. Descaracterizados, só lhes restaram de genuínas a aparência física (herança genética) e a língua (herança cultural). O contato cultural desses índios com os brancos (não-índios) põe em cheque esses valores, assim como abala os alicerces de sua identidade.

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Publicado

2009-10-01

Edição

Seção

Dossiê