Levantamento de plantas utilizadas na comunidade quilombola Lagoinha em Casa Nova, Bahia
DOI:
https://doi.org/10.59621/flovet.2026.v4.n15.e2026008Palavras-chave:
Etnobiologia; Etnobotânica; Caatinga; Comunidades tradicionais.Resumo
Este estudo realizou um levantamento etnobotânico na comunidade Lagoinha, em Casa Nova (BA), por meio de entrevistas semiestruturadas e turnê-guiada em 25 residências. As espécies foram classificadas quanto às categorias de uso, parte utilizada e forma de uso, além de origem geográfica, endemismo, hábito e status de ameaça. Os entrevistados tinham entre 29 e 75 anos, a maioria com ensino fundamental incompleto. O conhecimento tradicional concentrou-se em pessoas acima de 40 anos, majoritariamente mulheres. As categorias predominantes foram medicinal (31 espécies), ornamental (21) e alimentícia (20). A família mais representativa foi Fabaceae e o hábito predominante foi erva. 39 espécies são cultivadas, 23 naturalizadas e 22 nativas. A espécie Zea mays (milho) apresentou o maior Valor de Uso (VU), evidenciando sua relevância local. O estudo destaca a riqueza florística, a importância cultural das plantas e a necessidade de políticas públicas de apoio à agricultura familiar e ao fortalecimento comunitário.
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