Serapilheira e nutrientes acumulados sobre o solo em plantios de leguminosas e em área restaurada com espécies nativas da Floresta Atlântica

Marcos Vinicius Winckler Caldeira, Huezer Viganô Sperandio, Tiago de Oliveira Godinho, Valéria Hollunder Klippel, William Macedo Delarmelina, Elzimar de Oliveira Gonçalves, Paulo André Trazzi

Abstract


Informações a respeito da sazonalidade, quantidade e qualidade da serapilheira acumulada fornecem subsídios para um melhor entendimento da dinâmica da ciclagem de nutrientes nos ecossistemas terrestres. Diante disso, este estudo objetivou quantificar a serapilheira acumulada e determinar o seu teor e conteúdo de nutrientes, em três diferentes coberturas vegetais na Reserva Natural Vale, Linhares – ES: área com a leguminosa (Fabaceae) subarbustiva Mimosa velloziana Mart., área com a leguminosa (Fabaceae) arbustiva Tephrosia candida DC. e área restaurada com espécies nativas da Floresta Atlântica, na estação chuvosa e na estação seca. Não foram observadas diferenças no acúmulo de serapilheira dentro da mesma cobertura vegetal, entre as estações climáticas. A área sob M. velloziana teve maior biomassa de serapilheira acumulada, seguida da área restaurada e da área com T. candida. A espécie M. velloziana proporcionou a serapilheira acumulada com maiores teores e conteúdos de macronutrientes, com exceção do cálcio, cujos teores e conteúdos foram maiores na serapilheira acumulada na área restaurada. As serapilheiras acumuladas das espécies leguminosas tiveram maiores teores e conteúdos de nitrogênio. O conteúdo total dos micronutrientes foi maior na serapilheira acumulada na restauração. A leguminosa M. velloziana se configurou como ótima opção para ser utilizada na recuperação de áreas degradadas e como espécie para compor sistemas agroflorestais, por retornar grande quantidade de nutrientes para o solo, por meio da serapilheira.


Keywords


Ciclagem biogeoquímica, Reserva Natural Vale, Recuperação de áreas degradadas

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DOI: https://doi.org/10.34062/afs.v7i2.8310

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