Entre cordéis, plaquettes e cartoneras: transitares tupiniquins na terra de los hermanos

Autores

  • Flavia Krauss Vilhena Universidade do Estado do Mato Grosso

Palavras-chave:

cordel, literatura cartonera, literatura marginal, devir, literatura menor.

Resumo

Pensando nos ires e vires literários que tomaram como palco a América Latina, no focaremos em um duplo circuito: o primeiro percorrido pelas agitadoras culturais, Fernanda Laguna, Cecilia Pavón e Gabriela Bejerman que, ao conhecerem a literatura de cordel se impressionam com a concepção de livro e leitura aí posta em jogo e fundam o projeto Belleza y Felicidad, cujos livros – isso em fins do século XX – em muito se inspiram nos suportes através dos quais circula a literatura de cordel no nordeste brasileiro. O segundo circuito se refere ao percorrido pelo escritor e ativista político Néstor Perlonguer que, a partir de nossa interpretação, teria sido o catalizador da relação entre uma vertente da literatura brasileira, conhecida como Literatura Marginal e desenvolvida sobretudo nos anos setenta, com a literatura argentina do início dos anos 2000. No que tange às expressões e projetos literários da Argentina do início do século XXI, nos focaremos sobretudo no caso Eloísa Cartonera – um espécie de projeto-irmão de Belleza y Felicidad –  porque entendemos que este, literariamente, funcione como uma espécie de ponto alto do espírito de uma época, sendo a única proposta que permanece em pleno funcionamento na atualidade. A partir desta relação entre dois modos de simbolizar o processo de escrita e de circulação do escrito literário – o brasileiro e o argentino –, nesta reflexão nos propomos a mapear os modos a partir dos quais estas literaturas se encontram em um acontecimento que desemboca na produção de um devir - tal como proposto por Deleuze e Guattari (1997). Em trabalho anterior (VILHENA, 2016) já havíamos sinalizado que Eloísa Cartonera se constitui um acontecimento que rompe com uma série do que significa publicar livros na América Latina, para instaurar outra. Na esteira desta interpretação, trataremos de entender tal projeto como o resultado de um processo de movência que, ao se colocar como plataforma do que Palmeiro (2010) denomina “língua das loucas”, acaba por oferecer suporte a uma literatura menor, também nos moldes colocados por Deleuze e Guattari (2014).

Biografia do Autor

Flavia Krauss Vilhena, Universidade do Estado do Mato Grosso

Professora de língua espanhola e literaturas de língua espanhola no curso de Letras da Universidade do Estado do Mato Grosso.

Referências

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Publicado

2020-10-05