Vozes de uma vida: biografemas de um benzedor
DOI:
https://doi.org/10.48074/aceno.v12i30.20304Resumo
O presente artigo é construído a partir do encontro com a figura de Adão Maximo Moreira, privilegiando traços que deixam marcas, constituindo biografemas - ferramenta que nos orienta na recusa a totalidade linear das biografias e aposta na potência do embolo produzido pelos rastros de memórias, ancestralidade e práticas de uma comunidade tradicional do Reinado. Nele, emerge a casa de Adão como um território de acolhimento, cuidado e transmissão de saberes herdados, especialmente de sua avó Custódia, que lhe legou o ofício de benzedor. Essa herança pluriontológica entrelaça dimensões telúricas, sagradas e cotidianas, inscrevendo-o em uma rede de resistência afro-diaspórica. Suas práticas, marcadas pela reza, pela cozinha e pela partilha, afirmam uma vida em compartilhamento e traduz uma filosofia da ancestralidade que reexiste no presente, abrindo caminhos de luta em contiguidade com a dança, a reza, o canto e a criação de mundos.
Palavras-chave: biografema; Reinado; ancestralidade; cuidado; comunidade
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