Editorial

Autores

  • Marcos Aurélio da Silva, editor executivo marcosaurelio@ufmt.br

DOI:

https://doi.org/10.48074/qgx5ky51


Resumo

Enfim publicamos primeira edição de 2025 da Aceno – Revista de Antropologia do Centro-Oeste. E com muita dificuldades! Todo o trabalho realizado por nós é praticamente de forma voluntária, sem a contabilização em nossas horas de trabalho docente. Tampouco nossos alunos recebem algum tipo de auxílio financeiro. Ainda assim, conseguimos entregar nessa edição mais um recorde em número de artigos e páginas: são 42 trabalhos em 734 páginas, superando os 40 artigos e 628 páginas da edição publicada no último quadrimestre de 2023.

O tamanho se explica por vários motivos. Entre eles estão os trabalhos remanescentes do dossiê temático Neliberalismo e Sofrimento Psíquico, publicado em nossa última edição. Nove artigos submetidos àquele dossiê foram reaproveitados e compõem aqui o dossiê especial Neoliberalismo, Educação e Saúde Mental, organizado pelos professores Esmael Alves de Oliveira (UFGD) e Anaxsuell Fernando da Silva (Unila). Nas palavras dos organizadores: "a dinâmica organizacional da educação brasileira, no que diz respeito ao controle dos processos de trabalho, incorporou decisivamente o modelo de gestão da vida e do sofrimento próprio da vida neoliberal. Essa forma de organização e de gestão do trabalho está presente não apenas nos espaços privados, mas também nas instituições públicas de ensino, com quadros reduzidos de servidores e adoção de um modelo de governança gerencialista, com o estabelecimento de metas, sobrecarga e intensificação do trabalho, adoção de mecanismos de avaliação de desempenho individual, plataformização da educação, redução de orçamento e flexibilização de direitos".

Nesse sentido, esta edição traz dois dossiês, um fato inédito para nós, uma vez que o dossiê especial, que regularmente publicamos, não ficou de fora. Com o título Antropologias dos desertos: ecologias, povos e cosmologias entre os vazios e as abundâncias de um mundo em transformação, organizado pelos professores Antonela Dos Santos (Universidad de Buenos Aires), Gabriel Rodrigues Lopes (Universidade Federal de Sergipe) e Pedro Emilio Robledo (Universidad Nacional de Córdoba), o dossiê traz nove artigos que versam sobre diferentes desertos e concepções de deserto, que parecem convergir para a exploração e desumanidade:

"Foi a partir do envolvimento com esses outros horizontes cosmopolíticos que decidimos revisitar, por um lado, as narrativas de progresso e civilização que ganharam grande ênfase na América Latina durante o século XIX, avançando sobre todos aqueles territórios e populações que desafiavam de alguma forma esse programa político e o seu desejo de ordem e desenvolvimento. Por outro lado, percebemos também que esses lugares designados como desertos são hoje marcados pela violência, subordinação, desalojos e exploração do trabalho das populações locais, bem como pela implantação de projetos extrativistas massivos, pelo avanço da fronteira agropecuária e da monocultura, e pela instalação de hidrelétricas que, de certa forma, dão continuidade ao projeto de desertificação colonial."

A Aceno agradece profundamente aos organizadores dos dois dossiês que voluntariamente colaboraram com a produção desta edição, sem medir esforços em nome da divulgação do conhecimento antropológico em temas tão delicados para o contemporâneo.

Também temos uma seção, especialmente criada para esta edição, para a publicação dos artigos premiados pela Associação Brasileira de Antropologia, no Prêmio Mário de Andrade, organizado pelo Comitê de Patrimônios e Museus, na categoria Artigo Derivado de Dissertação de Mestrado (2024). Agradecemos aos coordenadores do prêmio e às autoras por terem confiado a publicação à Aceno.

Além disso, nossas outras seções já clássicas voltam com força total. Como a seção Artigos Livres, a maior de nossa história, com nada menos que 16 artigos, o que demonstra a confiança de pesquisadores brasileiros da antropologia e das ciências humanas em nosso trabalho, apesar da precariedade pela qual passam as condições que dispomos para a publicação da Aceno, a exemplo da maioria das revistas científicas brasileiras.

Temos ainda o prazer de trazer a tradução do importante trabalho Para que Abiayala viva, as Américas devem morrer: rumo a uma indigeneidade trans-hemisférica, de Emil’ Keme (Emory University), professor e pesquisador indígena do povo K'iche' Maia da Guatemala, com tradução dos professores Marcos José de Aquino Pereira (UFSCar) e Vanessa da Silva Sagica (UFSC), aos quais agradecemos a valiosa parceria.

Por fim, as seções Ensaios e Ensaios Fotográficos trazem dois lindíssimos trabalhos que tratam de duas realidades bastante distintas: a infância quilombola na Amazônia paraense e a vida de povos coletores-caçadores da Amazônia colombiana, num festival de lindas imagens.

A Aceno se sente honrada por contribuir no fortalecimento das ciências humanas no Brasil e agradece a todos os colaboradores que fazem parte deste número, assim como a todos nossos leitores, autores e pareceristas.

Boa leitura!

Os Editores

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Publicado

2025-07-31