O Sorriso de Nanook:ensaios de antropologia & cinema
de Marco Antonio Gonçalves
DOI:
https://doi.org/10.48074/aceno.v12i30.20132Resumo
A resenha crítica de "O Sorriso de Nanook: Ensaios de Antropologia & Cinema", de Marco Antonio Gonçalves, analisa a obra como um manifesto metodológico que redefine a relação entre os dois campos. Guiada pela recusa do cinema como um mero "espelho" da realidade, a análise destaca o método de "desmontagem etnográfica" proposto pelo autor para investigar os filmes como complexas construções de mundos, relações e perspectivas. A resenha percorre os eixos teóricos centrais do livro, desde a potente conexão entre o perspectivismo ameríndio e a capacidade do cinema de nos fazer "encarnar em corpos outros", passando pela desconstrução da fronteira entre verdade e ficção na "verdade fílmica" de Nanook do Norte, até a centralidade do corpo e da encenação como métodos de conhecimento, exemplificados pelo "cine-transe" de Jean Rouch. Finalmente, a análise aborda como Gonçalves utiliza o cinema brasileiro, de Coutinho a Kleber Mendonça Filho, para realizar uma crítica às narrativas de harmonia nacional através de conceitos como a "estética distópica" e a "esquizogênese". A resenha posiciona O Sorriso de Nanook como uma obra indispensável e uma "virada de página" nos estudos de antropologia visual, oferecendo um sofisticado arcabouço teórico para se pensar a imagem.
Downloads
Publicado
Edição
Seção
Licença
As autoras ou autores cedem gratuita e automaticamente à Revista ACENO os direitos de reprodução e divulgação dos trabalhos publicados.
