Etnicidade e biointeração: a confluência dos quilombolas com o cerrado de Chapada dos Guimarães
DOI:
https://doi.org/10.48074/aceno.v12i30.19464Resumo
Este artigo investiga a etnicidade e a biointeração das comunidades quilombolas de Chapada dos Guimarães, Mato Grosso, com foco nos quilombos Morro do Cambambi e Ribeirão do Itambé. Adotando uma abordagem etnográfica, complementada por observação participante, entrevistas e dados de uma dissertação anterior, o estudo descreve o modo de vida cotidiano desses grupos na paisagem do cerrado. A pesquisa destaca como sua identidade singular é forjada pela "confluência" de saberes tradicionais afro-indígenas e expressa através do conceito de "biointeração" (Bispo dos Santos, 2015), que significa uma reedição da natureza para uma vida sustentável. Estruturas sociais como as "irmandades" (redes de parentesco para ajuda mútua e agência política), sistemas de trabalho coletivo como os "muxiruns" (roças e celebrações comunitárias) e uma rica literatura oral encarnada nos "causos acontecidos" (narrativas que definem regras sociais e conexões cosmológicas) são centrais para essa identidade. Essas práticas ilustram um processo contínuo de resistência contra as lógicas coloniais. Os resultados revelam um modo de existência resiliente e biointegrado, profundamente enraizado na sabedoria ancestral e nos laços comunitários, que afirma sua distinta fronteira étnica no contexto brasileiro.
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