Exploração e desenvolvimento territorial em Mato Grosso: um deserto vestido de abundância
DOI:
https://doi.org/10.48074/aceno.v12i28.19406Resumo
Compreende-se que o estado de Mato Grosso foi construído a partir de um arquétipo de exploração civilizatória, baseado em uma predação sistemática dos recursos minerais, vegetais e animais, com baixíssima adesão às pautas ecológicas e ambientais. Formado a partir de um regime político autoritário (ditatorial), criaram-se as devidas condições para expansão e perpetuação do capital em terras mato-grossenses. A implementação das bases econômicas da cadeia produtiva agro-florestal-industrial (agronegócio) emerge a partir de uma série de transgressões contra os povos originários. Sob o paradigma da integração e da segurança nacional, o estado mato-grossense foi pensado e produzido a partir das políticas de ocupação e apropriação de uma territorialidade supostamente vazia e desabitada, uma terra de “ninguém”, os chamados “vazios demográficos”. Atuando a partir de políticas propositivas de morte e extermínio, o discurso hegemônico tem dizimado a décadas seus respectivos “inimigos”, eliminando subsequentemente alternativas possíveis de existência. Entretanto, os povos a serem dizimados demonstram-se resistentes e, em meio à destruição, oferecem-nos novas possibilidades, uma escolha pela reintegração entre a humanidade e a natureza, pela suficiência em oposição ao acúmulo, reaproximando as noções de corpo e território, saúde e ambiente.
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