CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO DOSSIÊ TEMÁTICO “REFLEXÕES EM TORNO DA SAÚDE DA POPULAÇÃO LGBT: CRUZANDO TEMAS, PROBLEMAS E PERSPECTIVAS”

CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO DOSSIÊ TEMÁTICO “REFLEXÕES EM TORNO DA SAÚDE DA POPULAÇÃO LGBT: CRUZANDO TEMAS, PROBLEMAS E PERSPECTIVAS”

Organizadorxs:

Esmael Alves de Oliveira – PPGAnt/UFGD

Jainara Gomes de Oliveira – PPGAS/UFSC

Moisés Lopes – PPGAS/UFMT

Letícia Carolina Pereira do Nascimento - UFPI

O presente dossiê tem o intuito de congregar pesquisas e reflexões em torno da saúde da população LGBT. Se, pelo menos desde a década de 1980, as ciências humanas e sociais no Brasil têm se debruçado principalmente sobre a questão do HIV/Aids, em decorrência do boom da epidemia ao longo das décadas de 80 e 90 do século XX (Parker, 1987; Pollak, 1988; Loyola, 1994; Knauth, 1996), atualmente novos temas ganham cada vez mais relevo.

Assim, observa-se a partir ao longo das décadas de 1990 e, principalmente, 2000 uma proliferação de pesquisas e trabalhos voltados a compreender a saúde da população LGBT cada vez mais atentas às diferenças e especificidades da “sopa de letrinhas” (Facchini, 2005). Ou seja, torna-se cada vez mais insustentável uma análise meramente epidemiológica e sexualizante sobre a saúde dxs LGBTs. Isso implicou uma série de deslocamentos tanto em termos teóricos e analíticos quanto em termos metodológicos.

É assim que emergem outras temáticas até então invisibilizadas, tais como: saúde da população trans (Peres, 2005; Pelúcio, 2009); saúde da população lésbica (Marques et al, 2013); saúde na perspectiva dos marcadores sociais de diferença (Luiz Mello et al, 2011; Pelúcio, 2011); dentre outros. Contudo, se no âmbito acadêmico houve uma ampliação no que tange aos horizontes de pesquisa, no que concerne às políticas públicas há a constatação de que muito ainda precisa ser feito para a consolidação e efetivação de políticas públicas de saúde que atendam de fato às demandas reais dessa população.

Recentemente Luiz Mello et al (2011) ao analisar as políticas públicas de saúde voltadas à população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) no Brasil, aponta que, embora haja uma série de conquistas nas últimas décadas no que diz respeito aos dispositivos legais, há muito o que se fazer com relação a acessos e efetividades. Assim, se “a despeito das conquistas e dos avanços decorrentes da implantação do Sistema Único de Saúde no Brasil (SUS), ainda há problemas estruturais que precisam ser superados se pretendemos assegurar universalmente serviços de saúde de qualidade para a população brasileira” (MELLO et al, 2011, p. 11), quando se leva em consideração a população LGBT os desafios e dilemas são ainda muito maiores.

Portanto, se a “categoria saúde, entendida como uma construção histórica, social e cultural, (...) não se restringe a um marco biologizante” (MELLO et al, 2011, p. 11), importa reiterar que as concepções de corpo, saúde, doença e vida dxs LGBTs, só podem ser bem compreendidas se se considerarem também dimensões sociais, econômicas, existenciais, cosmológicas, éticas e políticas. É a partir desses pressupostos, ancorados numa perspectiva transdisciplinar, que esperamos receber contribuições que possibilitem tanto a exploração de temas e problemas já consolidados pelo campo de estudos sobre saúde dxs LGBTs quanto, e principalmente, sua ampliação.

Prazo para submissão: 15/07/2020 a 15/09/2020

Previsão de publicação: Dezembro de 2020

Endereço eletrônico para submissão:

http://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/rebeh