CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO DOSSIÊ TEMÁTICO “POLÍTICAS DE EXTERMÍNIO DE GRUPOS SOCIAIS: TRANSFOBIA, HOMOFOBIA E FEMICÍDIO”

CHAMADA PARA PUBLICAÇÃO

DOSSIÊ “POLÍTICAS DE EXTERMÍNIO DE GRUPOS SOCIAIS:

TRANSFOBIA, HOMOFOBIA E FEMICÍDIO”

Coordenação:

Dánie Marcelo de Jesus (UFMT)

Ana Paola de Souza Lima (UFR)

Vicente Tchalian (UFMT)

Ao passo que há uma crescente visibilidade de formas não hegemônicas de pensar e experienciar os corpos humanos, há também crescente disputa no campo dos discursos sendo travada na contemporaneidade. No caso do Brasil exemplos dessa disputa de sentidos não nos faltam: somos o país que mais procura pornografia com pessoas trans ao mesmo tempo em que somos o país número um em crimes de transfobia e assassinatos das populações trans. Nos últimos anos, ativistas e pesquisadores (as) preocupados (as) com as questões de gênero vêm denunciando o aumento de assassinatos de grupos mais marginalizados, particularmente os grupos LGBTI+ e mulheres cisgêneras de periferia (WAISELFISZ, 2015; NOGUEIRA, BENEVIDES, 2019). Segundo levantamento realizado pelo site Gênero e Número houve um aumento de 800% nos crimes de transfobia entre 2014 e 2017, sendo ainda que no ano de 2019 ocorreram 163 assassinatos de pessoas trans no país e em 2019 mais 124 pessoas tiveram suas vida ceifadas por crime de ódio de caráter transfóbico, segundo dossiê realizado pela Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais). Grave também é o índice de feminicídio no país, que nos coloca como o quinto que mais mata mulheres no mundo. Tais pesquisas ajudam a interrogar a escassez de dados estatais acerca desta população, que acaba por produzir como efeito uma política de extermínio dessas pessoas.

Este efeito necropolítico, bem como os meios pelo qual os processos de precarização de vidas consistem no interesse do dossiê que propomos em resposta ao contexto descrito. Sendo assim, o objetivo deste dossiê é reunir trabalhos que procurem entender essa política de extermínio relacionadas à luz de diferentes vertentes epistemológicas, bem como suscitar um ambiente de debate de ações afirmativas que possam contribuir para a criação de políticas públicas rumo à melhores condições de vida para os(as) integrantes de tais grupos marginalizados. Elegemos assim três eixos temáticos para orientar as produções, sendo eles as questões de gênero relacionadas à homofobia, transfobia e feminicídio, compreendendo ainda as interseccionalidades que compõem cada contexto – etnia, classe social, localização geográfica e geopolítica, entre outras.

Prazo para submissão: 15/05/2020 a 15/07/2020

Previsão de publicação: setembro de 2020

Endereço eletrônico para submissão:

http://periodicoscientificos.ufmt.br/ojs/index.php/rebeh